Estrutura oculta na Lua pode reescrever história magnética

Pesquisadores identificaram uma estrutura vulcânica enterrada na face oculta da Lua que sugere que o satélite pode ter gerado um campo magnético próprio em sua juventude. A descoberta foi feita a partir da combinação de dados de gravidade da missão GRAIL da NASA com medições magnéticas do Lunar Prospector e Kaguya.
Evidências de um campo magnético antigo
A estrutura localizada na região de Dewar apresenta um corpo rochoso denso e fortemente magnetizado, com cerca de 60 quilômetros de largura e se estendendo aproximadamente 9 quilômetros abaixo da superfície. Estudos anteriores sobre amostras de rochas da Apollo geraram debates sobre a existência de um campo magnético lunar, mas a nova evidência fortalece a hipótese de que a Lua pode ter operado um dínamo em seu interior.
Análise da estrutura de Dewar
Os pesquisadores estimaram a quantidade de ferro presente na rocha de Dewar, permitindo calcular o campo magnético mínimo necessário para magnetizá-la durante seu resfriamento. Os dados indicam que o campo magnético da Lua poderia ter sido superior a 10 microteslas, comparado aos 50 microteslas atuais da Terra. A localização da estrutura também sugere que a magnetização não foi causada por impactos de asteroides, reforçando a ideia de um dínamo interno.
Implicações para futuras missões lunares
A presença de um campo magnético na Lua teria implicações significativas para futuras missões tripuladas. A geofísica Anna Mittelholz destaca que as linhas de campo magnético podem oferecer proteção contra os ventos solares, e as ‘espirais lunares’ indicam locais onde essa proteção pode ser mais eficaz. Essa informação é crucial para a segurança de astronautas que planejam explorar a superfície lunar.

Possíveis investigações em outros corpos celestes
A metodologia utilizada para analisar a estrutura de Dewar pode ser aplicada em investigações de outros corpos celestes, como Marte. Embora os dados disponíveis sobre o planeta vermelho ainda não sejam suficientes para uma análise detalhada, a abordagem pode abrir novas possibilidades para entender a história magnética de outros mundos.
A pesquisa sobre a estrutura de Dewar foi publicada na revista Science Advances e pode alterar a compreensão sobre a história magnética da Lua. A continuidade dos estudos pode elucidar como um corpo com um núcleo relativamente pequeno conseguiu gerar um campo magnético tão forte. Para mais informações, acesse o artigo completo em DOI: 10.1126/sciadv.aec0341.






