Estudo revela como áreas visuais do cérebro alcançam consenso

Uma pesquisa realizada com camundongos sugere que áreas visuais adjacentes do cérebro conseguem chegar a um consenso por meio da manutenção de padrões de atividade compartilhados, enquanto as divergências se dissipam rapidamente. O estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, investiga a dinâmica entre o córtex visual primário (V1) e a área visual lateromedial (LM).
Mecanismo de consenso entre áreas visuais
Os pesquisadores observaram que, quando os padrões de atividade nas áreas V1 e LM estavam de acordo, essa atividade persistia por mais tempo. Em contrapartida, quando havia desacordo, a discrepância se dissipava em frações de segundo. Essa descoberta foi conduzida por Mitra Javadzadeh, do Cold Spring Harbor Laboratory, em colaboração com a Universidade de Cambridge e o University College London.

Experimentos com camundongos
Durante os experimentos, os camundongos foram treinados para distinguir entre dois padrões visuais inclinados em ângulos opostos, recebendo recompensas apenas por um deles. Os pesquisadores silenciaram temporariamente uma das áreas visuais e registraram a atividade da outra, permitindo a construção de um modelo de rede neural artificial que representava o circuito V1-LM. Esse modelo possibilitou simulações sobre como as conexões entre as áreas influenciavam a persistência da atividade.

Implicações para a interpretação sensorial
Os resultados levantam questões sobre como grupos especializados de neurônios, que recebem diferentes fluxos de informações sensoriais, podem contribuir para uma interpretação unificada. Javadzadeh sugere que o mecanismo de construção de consenso pode ser aplicado em outras áreas do neocórtex, o que poderia ajudar a reconciliar informações de diferentes sentidos, como visão e audição.

Publicação e financiamento da pesquisa
A pesquisa foi publicada em Nature Neuroscience e pode ser acessada pelo DOI: 10.1038/s41593-026-02437-3. O estudo recebeu financiamento do UKRI Engineering and Physical Sciences Research Council, da Gatsby Charitable Foundation, da Wellcome Foundation, do Cynthia R. Stebbins Fellows Program e da Pershing Square Foundation.

As descobertas sobre como o cérebro alcança consenso entre áreas visuais podem ter implicações significativas para a compreensão de processos sensoriais e para o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial que lidam com informações conflitantes.






