Ahnenerbe faz mais de 200 cópias de arte rupestre escandinava

A organização nazista Ahnenerbe realizou expedições na Escandinávia entre 1935 e 1936, resultando na produção de mais de duzentas cópias de gravuras pré-históricas. Um estudo recente analisa a motivação por trás da criação de cópias tão fiéis, em um contexto de manipulação histórica em favor de uma ideologia racial.
Expedições da Ahnenerbe na Escandinávia
As expedições da Ahnenerbe foram organizadas logo após a fundação da instituição, em julho de 1935, sob a liderança de Heinrich Himmler. O primeiro grupo, coordenado por Herman Wirth, percorreu o sul e o centro da Suécia, resultando em 113 cópias. No ano seguinte, uma nova expedição, com mais recursos, ampliou o alcance para Dinamarca e Noruega, totalizando 221 cópias, das quais 172 foram feitas na Suécia, principalmente na região de Bohuslän.

Objetivos ideológicos da Ahnenerbe
A Ahnenerbe tinha como objetivo provar a superioridade da cultura germânica, buscando evidências materiais que pudessem conectar os alemães a um passado glorioso. Herman Wirth, teórico por trás das expedições, acreditava que as gravuras na rocha representavam os símbolos mais antigos da humanidade e eram precursoras das runas germânicas. Para Wirth, a interpretação desses ideogramas era fundamental para restaurar uma ordem social idealizada, livre de influências externas.

Métodos de reprodução das gravuras
As cópias foram realizadas com um método artesanal e rigoroso. Um quadro de madeira fixado com argila era colocado sobre a rocha, e a superfície era tratada com água e sabão para evitar a aderência do gesso. O material era então aplicado, reforçado com burlap e uma malha de ferro. Wirth supervisionava pessoalmente a qualidade das cópias, repetindo o processo quando necessário. Apesar da existência de métodos mais rápidos e baratos, como fotografia, ele insistiu no uso do gesso para garantir uma interpretação exclusiva dos detalhes.

Análise das cópias e suas implicações
O estudo das cópias revela as contradições do projeto da Ahnenerbe. A busca por reproduzir imagens com precisão milimétrica, em um contexto de manipulação histórica, levanta questões sobre a autenticidade material e sua relação com a propaganda. A análise das cópias, publicada na revista Antiquity, conduzida pelo arqueólogo Mattias Legner da Universidade de Uppsala, destaca a complexidade das relações entre os artefatos e a ideologia racial que impulsionou as expedições.
As expedições da Ahnenerbe e suas cópias de arte rupestre escandinava ilustram como a arqueologia pode ser utilizada como ferramenta de propaganda. A busca por uma narrativa histórica que favorecesse a ideologia nazista revela as tensões entre a pesquisa científica e a manipulação da história.






