Anticorpos projetados por IA podem tratar Alzheimer e Parkinson

Pesquisadores da Universidade de Essex desenvolveram uma nova abordagem para transformar anticorpos comuns em moléculas microscópicas que podem atuar dentro das células humanas. Essa inovação pode abrir novas possibilidades de tratamento para doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e doenças do neurônio motor.
Desenvolvimento de intrabodies
Os cientistas utilizaram inteligência artificial para criar fragmentos de anticorpos extremamente pequenos, conhecidos como intrabodies, que são produzidos diretamente dentro das células. Esses fragmentos são projetados para se ligar a proteínas associadas a doenças, algo que anticorpos convencionais não conseguem fazer eficazmente, pois atuam fora das células.
Importância da carga elétrica
A pesquisa revelou que a carga elétrica é um fator crucial para a estabilidade e funcionalidade dos fragmentos de anticorpos dentro das células. A equipe de pesquisa, liderada pelos doutores Caitlin O’Shea e Gareth Wright, identificou que a maioria dos anticorpos possui uma carga inadequada, o que impede sua eficácia no ambiente celular. Com o uso de software desenvolvido por David Baker, vencedor do Prêmio Nobel, os pesquisadores redesenharam 672 anticorpos para que apresentassem a carga elétrica correta.
Reaproveitamento de anticorpos existentes
Os pesquisadores acreditam que suas descobertas podem permitir o reaproveitamento de milhões de anticorpos já desenvolvidos ao longo de décadas de pesquisa biomédica. Em vez de começar do zero, anticorpos existentes podem ser adaptados para se tornarem ferramentas laboratoriais poderosas e, possivelmente, a base para novos tratamentos que visem proteínas causadoras de doenças.
Possibilidades terapêuticas para doenças neurodegenerativas
A Associação de Doenças do Neurônio Motor (MND) elogiou os avanços e destacou sua importância para futuros tratamentos. O cientista-chefe da entidade, Dr. Brian Dickie, afirmou que a pesquisa representa um avanço significativo na superação de desafios que dificultam o desenvolvimento de anticorpos como tratamentos para doenças neurodegenerativas. A combinação da ciência dos intrabodies com técnicas emergentes de terapia gênica pode levar a novas estratégias terapêuticas que atinjam alvos moleculares específicos dentro dos neurônios.
As inovações apresentadas pelos pesquisadores podem transformar a abordagem atual no tratamento de doenças que afetam milhões de pessoas em todo o mundo, oferecendo novas esperanças para pacientes e suas famílias.






