Aquecimento das águas potencializa predador invasor de salmão no Alasca

O aumento das temperaturas das águas no Alasca tem gerado mudanças significativas no comportamento dos northern pike, um predador invasor que ameaça as populações nativas de salmão. Pesquisas recentes indicam que a elevação da temperatura não apenas acelera o metabolismo desses peixes, mas também intensifica sua atividade de caça, o que pode ter consequências graves para o ecossistema aquático.
Mudanças no comportamento dos northern pike
Com o aquecimento das águas, os northern pike estão se tornando mais vorazes. Um estudo realizado pela Universidade do Alasca Fairbanks revelou que, em comparação com uma década atrás, esses predadores aumentaram seu consumo de peixes em até 63%, especialmente entre os jovens. A pesquisa analisou o conteúdo estomacal dos pikes coletados no rio Deshka e constatou que a elevação da temperatura da água está diretamente relacionada ao aumento da fome desses peixes. Os pesquisadores preveem que, se as temperaturas continuarem a subir, o consumo de peixes por parte dos pikes poderá aumentar entre 6% e 12% até 2100, conforme publicado na revista Biological Invasions.
Impacto do aumento da temperatura nas populações de salmão
As populações de salmão no Alasca já enfrentam desafios devido ao aquecimento global. O aumento da temperatura da água não apenas afeta a sobrevivência dos salmões, mas também intensifica a predação por parte dos northern pike. Segundo o professor Peter Westley, da UAF, a combinação de espécies invasoras e mudanças climáticas está contribuindo para a extinção de peixes de água doce. O aumento da predação por pikes, que agora compartilham habitat com salmões em declínio, representa uma pressão adicional sobre essas populações vulneráveis.
Consequências da predação agressiva
A predação agressiva dos northern pike tem consequências diretas e indiretas para o ecossistema aquático. Embora a quantidade de salmões encontrados nos estômagos dos pikes tenha diminuído, isso pode ser mais um reflexo da diminuição das populações de salmão do que de uma redução na predação. A pressão adicional sobre os salmões, já fragilizados por outras condições ambientais, pode levar a um colapso mais rápido dessas populações. A interação entre predadores e presas é crucial para a saúde do ecossistema, e a predação exacerbada pode desestabilizar essa dinâmica.
Interconexões no ecossistema aquático
O ecossistema aquático do Alasca é complexo e interconectado. As mudanças climáticas não afetam apenas os salmões, mas também influenciam outros organismos que compõem a rede alimentar. Erik Schoen, pesquisador da UAF, enfatiza a importância de entender como as alterações de temperatura impactam não apenas os salmões, mas também seus predadores e presas. A saúde do ecossistema depende da interação entre todas essas espécies, e a predação intensificada pode ter efeitos em cascata que comprometem a biodiversidade local.
As mudanças climáticas e a introdução de espécies invasoras como os northern pike estão criando um cenário preocupante para as populações de salmão no Alasca. A combinação dessas pressões pode levar a um desequilíbrio significativo no ecossistema aquático, exigindo atenção e medidas de conservação urgentes para preservar a biodiversidade da região.
Fonte: sciencedaily.com






