Bactérias transformam urânio tóxico em composto estável

Pesquisadores do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR), da Wismut GmbH e da Universidade de Granada, na Espanha, descobriram que bactérias presentes em águas de minas inundadas podem remover urânio dissolvido e convertê-lo em um composto estável. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, aborda os desafios da contaminação por urânio e as implicações para a remediação ambiental.
Contaminação por urânio e seus desafios
A contaminação por urânio representa um problema significativo, especialmente em áreas afetadas por atividades mineradoras. O urânio pode alterar sua forma química, tornando-se solúvel e, assim, movendo-se através do solo e da água, o que dificulta sua contenção. Quando o urânio está preso em minerais, sua mobilidade é limitada, mas em sua forma dissolvida, ele pode se espalhar além da fonte original.
O papel das bactérias na remoção do urânio
As bactérias desempenham um papel crucial na bioremediação de contaminantes. No estudo, os pesquisadores observaram que as bactérias presentes na água da mina foram capazes de metabolizar o urânio dissolvido, utilizando glicerol como fonte de carbono. Essa interação resulta na conversão do urânio em uma forma sólida, o que impede sua mobilidade e potencial contaminação.
Experimentos em condições de mina submersa
Os cientistas realizaram experimentos utilizando amostras de água de uma mina de urânio inundada nos Montes Métálicos. As amostras continham uma comunidade bacteriana adaptada ao ambiente da mina. Ao adicionar glicerol e manter as amostras em condições anaeróbicas, os pesquisadores simularam as condições naturais do fundo da mina, onde o oxigênio é escasso.

Resultados e implicações da pesquisa
Após 130 dias de experimentos, apenas 5% do urânio dissolvido permaneceu na água. Análises adicionais confirmaram que o urânio foi incorporado nas paredes celulares das bactérias. Os pesquisadores também identificaram que o urânio estava em um estado de oxidação pentavalente, uma forma rara e estável, o que representa um avanço significativo na compreensão da bioremediação de contaminantes. Os resultados têm implicações importantes para o desenvolvimento de estratégias de remediação em áreas afetadas por urânio.
A pesquisa evidencia o potencial das bactérias na mitigação da contaminação por urânio, oferecendo novas perspectivas para a remediação ambiental. O estudo contribui para o entendimento das interações entre microorganismos e metais pesados, podendo influenciar futuras abordagens na gestão de áreas contaminadas.






