Câncer de mama triplo-negativo usa células imunes para crescer

Pesquisadores da Universidade de Oklahoma identificaram um mecanismo pelo qual tumores de câncer de mama triplo-negativo recrutam nervos, utilizando células imunes como mensageiras. A descoberta, publicada na revista Cell Death & Differentiation, revela como essa interação pode favorecer o crescimento tumoral e a resistência a tratamentos.
Mecanismo de recrutamento de nervos em tumores
Os tumores de câncer de mama triplo-negativo atraem células imunes chamadas macrófagos para seu entorno. Essas células, que normalmente combatem infecções e ajudam na reparação de tecidos, liberam o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Este fator, conhecido por apoiar células nervosas no cérebro, também parece estimular o crescimento de nervos dentro dos tumores, contribuindo para a sobrevivência e expansão do câncer.
Efeito do BDNF no crescimento tumoral
A pesquisa demonstrou que a inibição do BDNF pode ser uma estratégia terapêutica eficaz. Em experimentos com camundongos, o bloqueio da sinalização do BDNF impediu a entrada de nervos nos tumores e resultou em uma redução significativa do crescimento tumoral. Segundo a Dra. Maureen Cox, essa abordagem pode potencialmente aumentar a resposta imunológica contra o câncer ao interromper a comunicação entre macrófagos e nervos.
Dados de pacientes corroboram a pesquisa
Para verificar se o mesmo mecanismo ocorre em humanos, os pesquisadores analisaram dados de pacientes com câncer de mama triplo-negativo. Os resultados mostraram que níveis elevados de macrófagos e BDNF nos tumores estavam associados a uma menor sobrevida, corroborando a hipótese de que o mesmo processo observado em camundongos também se aplica aos pacientes.

Perspectivas para novas terapias
A Dra. Cox planeja investigar como os nervos promovem o crescimento tumoral e se podem incentivar a formação de vasos sanguíneos que fornecem oxigênio e nutrientes às células cancerígenas. Além disso, pretende testar a mesma intervenção em câncer de ovário de alto grau, uma doença igualmente agressiva e de difícil tratamento. O objetivo final é reverter a imunidade antitumoral nos pacientes, permitindo que seus próprios sistemas imunológicos rejeitem os tumores.
A pesquisa foi apoiada pelo National Institute of General Medical Sciences do NIH e pode abrir novas possibilidades para o tratamento de cânceres agressivos. Para mais detalhes, consulte o artigo completo publicado em Cell Death & Differentiation.






