Chimpanzés em Uganda se dividem após décadas de união

Pesquisadores documentaram a divisão permanente da maior comunidade de chimpanzés selvagens conhecida, localizada em Uganda. O estudo, publicado na revista Science, revela como a separação entre os grupos levou a episódios de violência entre os chimpanzés.
Divisão permanente entre comunidades de chimpanzés
A comunidade de chimpanzés do Ngogo, no Parque Nacional Kibale, se dividiu em dois grupos distintos: o Ocidental e o Central. Essa cisão, observada a partir de 2015, foi marcada por uma crescente aversão entre os grupos, que antes mantinham laços sociais. O fenômeno é considerado raro, uma vez que a estrutura social de fissão-fusão é comum entre chimpanzés, permitindo que os indivíduos se reúnam e se separem temporariamente.
Episódios de violência entre os grupos
Após a separação, o grupo Ocidental iniciou uma série de ataques mortais contra membros do grupo Central. Entre 2018 e 2024, foram registrados sete ataques a machos adultos e 17 a filhotes. Segundo Aaron Sandel, professor associado de antropologia na Universidade do Texas em Austin e autor principal do estudo, a nova identidade de grupo sobrepôs relações cooperativas que existiam há anos.

Raridade de cisões permanentes em chimpanzés
Divisões permanentes entre chimpanzés são extremamente incomuns, ocorrendo, em média, uma vez a cada 500 anos. O único outro caso documentado aconteceu na década de 1970 em Gombe, Tanzânia, durante a pesquisa de Jane Goodall. A ausência de provisão alimentar no estudo de Ngogo oferece uma visão mais natural do comportamento dos chimpanzés, diferentemente do caso de Gombe, que permanece controverso.
Implicações para a compreensão da violência humana
Os pesquisadores sugerem que os resultados desafiam a ideia de que a guerra humana é impulsionada principalmente por identidades culturais. Sandel afirma que, se dinâmicas relacionais podem provocar polarização e conflito letal entre chimpanzés, isso pode indicar que, em humanos, fatores culturais são secundários a aspectos mais básicos. Essa perspectiva oferece esperança para a redução de conflitos sociais por meio de atos diários de reconciliação.

A pesquisa sobre a divisão dos chimpanzés em Uganda fornece novos insights sobre a natureza da violência e suas raízes, contribuindo para um entendimento mais profundo das interações sociais tanto entre primatas quanto entre seres humanos.






