Cientistas mapeiam vasta rede de fungos subterrâneos da Terra

Pesquisadores publicaram o primeiro mapa global das redes de fungos subterrâneos, revelando uma infraestrutura biológica que se estende por 68 quadrilhões de milhas. O estudo, publicado na revista Science, foca nas fungos micorrízicos arbusculares (AM), essenciais para a vida vegetal e para o ciclo global de carbono.
Primeiro mapa global de redes fúngicas
O novo mapa mostra a densidade das redes de fungos micorrízicos arbusculares em diferentes ecossistemas, incluindo florestas, pastagens e áreas agrícolas. Os pesquisadores estimam que essas redes ocupam cerca de 110 quadrilhões de quilômetros de solo, o que equivale a uma distância quase um bilhão de vezes maior do que a distância da Terra ao Sol. Regiões como as pastagens alagadas do Sudão do Sul e os Everglades da Flórida apresentam densidades especialmente altas.

Importância das redes de fungos para o ecossistema
As redes de fungos desempenham um papel crucial na sustentação dos ecossistemas, formando parcerias benéficas com aproximadamente 70% das espécies vegetais do mundo. Essas interações permitem que as plantas forneçam carbono aos fungos, enquanto recebem água e nutrientes em troca. Além disso, as redes fúngicas são responsáveis por transportar cerca de 4 bilhões de toneladas de CO2 para o solo anualmente, o que representa 11% das emissões de dióxido de carbono relacionadas às atividades humanas.

Metodologia da pesquisa e dados utilizados
Para a elaboração dos mapas, os cientistas analisaram mais de 16 mil amostras de solo coletadas globalmente. Utilizaram modelos de aprendizado de máquina que integraram informações ambientais de diversos ecossistemas, como desertos e tundras, para estimar a densidade das redes em regiões não amostradas diretamente. A equipe também contou com a colaboração do grupo de Física do Comportamento do instituto de pesquisa AMOLF, que analisou mais de 300 mil hifas de fungos em condições laboratoriais.

Implicações para a agricultura e conservação
As descobertas têm implicações significativas para a agricultura e a conservação. As áreas agrícolas apresentam densidades de redes fúngicas aproximadamente 50% menores em média, o que pode limitar a capacidade do solo de armazenar carbono e reciclar nutrientes. A compreensão dessas redes é essencial para desenvolver práticas agrícolas sustentáveis e estratégias de conservação que preservem a biodiversidade e a saúde do solo.

O estudo representa um avanço importante na compreensão das redes fúngicas e suas funções ecológicas. A visualização interativa das redes, disponível no Mycorrhizal Infrastructure Map, pode auxiliar cientistas e formuladores de políticas a identificar regiões onde essas redes estão em risco, promovendo ações de proteção e recuperação.







