Cientistas mapeiam vasta rede de fungos subterrâneos

Pesquisadores revelaram a existência de uma extensa rede de fungos subterrâneos, que se estende por aproximadamente 110 quadrilhões de quilômetros, desempenhando um papel crucial na sustentação da vida no planeta e na regulação do clima. O estudo, publicado na revista Science, apresenta os primeiros mapas globais que detalham a distribuição e a densidade dessas redes fúngicas.
Descoberta de redes fúngicas subterrâneas
As redes de fungos arbusculares, conhecidas como AM fungi, formam parcerias com cerca de 70% das espécies vegetais do mundo. Essas estruturas, compostas por filamentos chamados hifas, são essenciais para a transferência de nutrientes e água entre o solo e as plantas. O estudo indica que essas redes podem mover aproximadamente 4 bilhões de toneladas de dióxido de carbono para o solo anualmente, o que equivale a 11% das emissões globais de CO2 relacionadas às atividades humanas.
Importância dos fungos arbusculares
Os fungos arbusculares não apenas sustentam a vegetação, mas também desempenham um papel vital na saúde dos ecossistemas. Eles ajudam a aumentar a capacidade do solo de armazenar carbono e a ciclar nutrientes, o que é fundamental para a resiliência ambiental. A pesquisa ressalta que áreas agrícolas apresentam uma densidade de redes fúngicas até 50% menor em comparação com ecossistemas naturais, o que pode comprometer a fertilidade do solo.
Metodologia do mapeamento global
Para elaborar os mapas, os cientistas analisaram mais de 16 mil amostras de solo coletadas em diversas regiões do mundo. Utilizaram modelos de aprendizado de máquina que integraram dados ambientais de diferentes ecossistemas, como desertos e florestas, para prever a densidade das redes fúngicas em locais onde não havia medições diretas. A equipe também aplicou técnicas de imagem robótica para examinar mais de 300 mil hifas de AM cultivadas em laboratório.
Implicações para ecossistemas e agricultura
Os resultados deste estudo têm implicações significativas para a conservação e o manejo agrícola. A identificação de hotspots de biodiversidade subterrânea pode auxiliar na proteção de áreas onde as redes fúngicas estão ameaçadas. Além disso, a compreensão da distribuição dessas redes pode informar práticas agrícolas mais sustentáveis, promovendo a saúde do solo e a mitigação das mudanças climáticas.
A pesquisa completa pode ser acessada através do artigo publicado na Nature e os mapas interativos estão disponíveis no Mycorrhizal Infrastructure Map.






