Dente de Múmia Boliviana Reescreve História da Escarlatina

Pesquisadores da Itália e do Reino Unido descobriram evidências da bactéria responsável pela escarlatina em um dente de uma múmia boliviana. Os restos pertenciam a um homem que viveu entre 1283 e 1383 d.C. na região do Altiplano, o que sugere que a doença já circulava entre as populações indígenas da América muito antes do contato europeu.
Descoberta do Bactéria em Múmia
A análise do dente revelou a presença da bactéria Streptococcus pyogenes, causadora da escarlatina. O microbiologista Frank Maixner, diretor do Instituto de Estudos de Múmias da Eurac, explicou que a cepa antiga contém muitos, mas não todos, os genes patogênicos encontrados nas cepas modernas da bactéria.
Implicações da Pesquisa para a História da Escarlatina
A descoberta altera a narrativa histórica sobre a escarlatina, que se acreditava ter sido introduzida nas Américas pelos colonizadores europeus. A evidência sugere que a doença já estava presente entre os povos indígenas, o que desafia a ideia de que as epidemias foram exclusivamente resultado do contato europeu. A escarlatina, antes considerada uma doença ‘fronteiriça’, pode ter raízes mais profundas na história da saúde pública da região.

Análise Genética e Metodologia do Estudo
Os pesquisadores enfrentaram desafios significativos na extração do DNA da bactéria, que estava altamente fragmentado e degradado. Utilizando novas metodologias, conseguiram reconstruir um modelo genômico da cepa antiga. Mohamed Sarhan, microbiologista envolvido no estudo, comparou o processo a montar um quebra-cabeça sem conhecer a imagem final, permitindo descobertas sem preconceitos baseados em referências modernas.
Repercussões na Compreensão de Doenças na América Pré-Colombiana
A pesquisa sobre a escarlatina abre novas possibilidades para entender outras doenças que podem ter coexistido nas Américas antes da chegada de Cristóvão Colombo. Evidências recentes de DNA antigo na Colômbia sugerem que sífilis e outras doenças também podem ter raízes pré-colombianas. Essa nova perspectiva sobre a história das doenças desafia a visão simplista de que todas as epidemias foram introduzidas pelos europeus.
A descoberta da bactéria em uma múmia boliviana não apenas reescreve a história da escarlatina, mas também provoca uma reavaliação das interações entre as populações indígenas e as doenças ao longo dos séculos. O estudo ressalta a complexidade das trocas biológicas e culturais que ocorreram antes do contato europeu, ampliando a compreensão sobre a saúde das sociedades indígenas.
Fonte: sciencealert.com






