Descoberta revela dieta complexa na Síria da Idade do Bronze

Pesquisadores do Museu Nacional da Dinamarca identificaram, pela primeira vez, os hábitos alimentares da antiga cidade de Hama, na Síria, datados de aproximadamente 4.500 anos. A análise de resíduos em potes revela uma dieta variada, que incluía carne de gazela importada e pratos preparados com resina de pinheiro.
Análise de resíduos revela hábitos alimentares em Hama
O estudo, liderado pela arqueobotânica Mette Marie Hald, revelou que os habitantes de Hama consumiam uma variedade de alimentos, como carne de cabra, ovelha, porco e gazela, além de grãos como cevada e trigo. Os pesquisadores analisaram ossos de animais, restos de plantas e resíduos de gordura absorvidos nas paredes dos potes, indicando uma dieta complexa e deliberada.
Logística de suprimentos na cidade antiga
Os dados sugerem que Hama se abastecia de alimentos de três zonas concêntricas. Produtos como porco e uvas eram obtidos localmente, enquanto cereais e azeitonas vinham dos campos ao redor. A carne de gazela, no entanto, era trazida de áreas mais distantes, indicando uma rede de troca com comunidades pastoris.

Variedade de utensílios utilizados na cozinha
A pesquisa também destacou a escolha cuidadosa dos utensílios de cozinha. Foram identificados dois tipos de potes: um feito de argila local misturada com calcário e outro de argila com basalto, importado da região do leste. A diferença nos materiais influenciava a condução de calor, refletindo uma escolha consciente dos cozinheiros em relação aos pratos preparados.
Estudo publicado no Journal of Archaeological Science
Os resultados da pesquisa foram publicados no Journal of Archaeological Science: Reports, contribuindo para uma reavaliação do material arqueológico coletado em Hama entre 1931 e 1938. O estudo foi financiado pelo Independent Research Fund Denmark desde 2021 e representa um avanço significativo na compreensão da culinária da Idade do Bronze.

As descobertas em Hama não apenas revelam a complexidade da dieta da época, mas também a sofisticação nas práticas culinárias, desafiando a visão simplista da alimentação na pré-história. O trabalho contínuo de arqueólogos e cientistas é fundamental para desvendar a história das civilizações antigas.






