Escaneamento a laser revela 23 novas gravuras de navios em templo cipriota

Um escaneamento a laser de alta resolução realizado em um templo de 3.000 anos em Chipre revelou 23 gravuras de navios até então desconhecidas, mais que o dobro das registradas desde a década de 1980. A pesquisa, publicada na revista International Journal of Nautical Archaeology, traz novas informações sobre a iconografia marítima da Idade do Bronze no Mediterrâneo oriental.
Descoberta de novas gravuras
O estudo, conduzido por Graham C. Braun, Caroline Barnes e Tzveta V. Manolova, identificou 23 novas gravuras na parede do Templo 1 de Kition Kathari. Entre elas, nove foram classificadas com alta confiança, seis com média e oito com baixa. Além disso, a análise revelou que algumas marcas anteriormente consideradas como gravuras eram, na verdade, danos na pedra. O escaneamento também trouxe à tona detalhes que haviam passado despercebidos nas gravuras conhecidas há quatro décadas.

Histórico do templo de Kition Kathari
O templo de Kition Kathari foi fundado no final da Idade do Bronze, por volta de 1300 a.C., e passou por uma fase de expansão significativa em torno de 1190 a.C., quando foram construídos grandes edifícios públicos e um sistema de ruas. A estrutura mais elaborada desse período é o Templo 1, cuja parede sul é feita de grandes blocos de calcário branco, conhecidos como Koronia, extraídos a cerca de 20 quilômetros de distância.

Metodologia do escaneamento a laser
A equipe utilizou um scanner a laser terrestre, que captura milhões de pontos tridimensionais na superfície da parede sem contato físico. A análise dos dados resultantes permitiu distinguir entre as gravuras intencionais e os danos acidentais ou erosão natural, algo que é difícil de fazer a olho nu em superfícies deterioradas. Essa metodologia trouxe à luz novas informações sobre as gravuras e sua cronologia.

Implicações da pesquisa para a arqueologia
As descobertas feitas no Templo 1 de Kition Kathari têm implicações significativas para a arqueologia marítima. A nova quantidade de gravuras e os detalhes revelados desafiam as concepções anteriores sobre a iconografia da navegação na região, indicando que os marinheiros continuaram a adicionar suas marcas ao longo de séculos, desde a Idade do Bronze até a Idade do Ferro. A pesquisa contribui para um entendimento mais profundo da cultura marítima antiga e da evolução das práticas de escultura em pedra.
A pesquisa completa pode ser acessada através do link doi.org/10.1080/10572414.2026.2702905. Para mais atualizações sobre descobertas arqueológicas, siga nosso canal no Google News e nosso canal no WhatsApp.






