Astrônomos descobrem estrela devorando companheira a 300 anos-luz

Astrônomos do MIT e de outras instituições identificaram um sistema estelar em que uma estrela está lentamente consumindo uma companheira, a uma distância de 300 anos-luz da Terra. A descoberta, publicada em um artigo na revista Nature Astronomy, revela um fenômeno que pode durar bilhões de anos.
Descoberta de sistema estelar
O sistema, denominado ZTF J0440+2325, é composto por uma estrela de baixa massa e um anão marrom, um objeto que se situa entre planetas e estrelas em termos de massa. A estrela tem aproximadamente 85 vezes a massa de Júpiter, enquanto o anão marrom possui cerca de 25 vezes a massa de Júpiter. A órbita do anão marrom ao redor da estrela ocorre a cada 87 minutos, evidenciando a proximidade entre os dois corpos celestes.
Características dos astros envolvidos
Ambos os astros são considerados pequenos em comparação com outros corpos celestes. A órbita do anão marrom é tão compacta que poderia caber dentro do diâmetro do Sol. Essa configuração permite que a estrela absorva material do anão marrom de forma contínua, um processo que, segundo os pesquisadores, pode se estender por centenas de milhares ou até bilhões de anos.
Métodos de observação e análise
A descoberta foi possível graças ao trabalho de Kevin Burdge, professor assistente de física no MIT, que analisou dados do Zwicky Transient Facility (ZTF). Este observatório utiliza uma câmera para monitorar mudanças rápidas de brilho que podem indicar eventos astronômicos significativos. Burdge notou um padrão de brilho incomum, que se revelou ser um sinal de um sistema binário de baixa massa, diferente dos tradicionais sistemas de estrelas que consomem planetas.
Implicações da descoberta para a astrofísica
A pesquisa sugere novas possibilidades sobre como estrelas de baixa massa interagem com objetos menores. O fenômeno de acreção, normalmente observado em buracos negros e estrelas de nêutrons, agora é visto em um contexto diferente, onde uma estrela absorve material diretamente de um anão marrom. Essa descoberta pode ampliar a compreensão dos processos de formação e evolução estelar, além de desafiar conceitos pré-existentes sobre a dinâmica de sistemas binários.
A identificação desse sistema estelar abre novas avenidas para estudos futuros na astrofísica, especialmente em relação à interação entre estrelas de baixa massa e outros corpos celestes. A pesquisa completa pode ser acessada através do artigo publicado em Nature Astronomy.






