Estudo finlandês relaciona tempo de tela a melhor desempenho cognitivo

Um estudo realizado na Finlândia acompanhou crianças por oito anos e revelou uma associação inesperada entre o tempo de tela e o desempenho cognitivo na adolescência. Os pesquisadores observaram que crianças que passaram mais tempo em frente a telas apresentaram melhor processamento cognitivo durante a adolescência, desafiando a visão predominante de que o uso excessivo de telas é prejudicial.
Pesquisa revela associação entre tela e cognição
Os resultados indicam que um maior tempo de tela desde a infância está associado a um melhor processamento cognitivo na adolescência. Segundo o pesquisador Petri Jalanko, da Universidade de Jyvaskyla, o tipo de atividade realizada durante o tempo de tela é crucial. Atividades digitais que envolvem aprendizado, criatividade e resolução de problemas podem explicar essa associação.
Impacto da atividade física no desempenho cognitivo
A relação entre atividade física e cognição apresentou variações significativas entre os gêneros. Para as meninas, a prática de atividades físicas leves desde a infância foi associada a uma melhor memória de trabalho na adolescência. Para os meninos, a participação em atividades físicas guiadas teve um efeito similar. No entanto, a atividade física não supervisionada apresentou um padrão inesperado, onde menores níveis de atividade não supervisionada estavam associados a um melhor processamento cognitivo.
Diferenças de gênero nas relações entre atividade e cognição
Os pesquisadores notaram que a complexidade das relações entre atividade física e cognição varia conforme o gênero e o tipo de atividade. Enquanto as meninas se beneficiaram de atividades leves, os meninos mostraram melhor desempenho em atividades físicas guiadas. Além disso, a medição da atividade física por dispositivos de rastreamento não se correlacionou com o processamento cognitivo, sugerindo que a natureza da atividade pode ser mais relevante do que a quantidade.
Necessidade de mais pesquisas sobre causa e efeito
Os pesquisadores ressaltam que os achados indicam associações, mas não provam que o tempo de tela ou tipos específicos de atividade física causam mudanças no desempenho cognitivo. Eles defendem a realização de mais estudos de intervenção para elucidar as relações causais e as diferenças de gênero. A pesquisa destaca a importância de entender como a intensidade da atividade física impacta o processamento cognitivo ao longo do desenvolvimento.
Os resultados do estudo foram publicados em uma pesquisa que pode ser acessada através do link aqui. A compreensão dessas dinâmicas é fundamental para orientar práticas educativas e de saúde pública, especialmente em um contexto onde a atividade física entre adolescentes é uma preocupação crescente.





