Estudo questiona a exclusividade da geometria humana

Uma nova pesquisa da professora de psicologia da Universidade de Nova York, Moira Dillon, desafia a ideia de que a geometria é uma habilidade exclusivamente humana, enraizada em um ‘módulo matemático’ inato. O estudo sugere que as habilidades geométricas podem ter origens compartilhadas com várias espécies, incluindo ratos, galinhas e peixes.
Raízes da geometria compartilhadas entre espécies
Dillon argumenta que a capacidade de pensar geometricamente não se origina de um sistema mental exclusivo dos humanos, mas sim de habilidades cognitivas que auxiliam tanto humanos quanto animais na navegação. Essa perspectiva é respaldada por décadas de pesquisa que indicam que a compreensão geométrica pode estar ligada a sistemas cognitivos comuns, em vez de um módulo matemático específico.
Teoria da linguagem do pensamento e suas implicações
A teoria da ‘linguagem do pensamento’ sugere que a mente humana possui múltiplos sistemas formais que suportam habilidades como matemática e música. Essa teoria propõe que conceitos geométricos, como ‘paralelismo’ e ‘perpendicularidade’, estariam embutidos na mente humana desde o nascimento. No entanto, Dillon contesta essa visão, afirmando que o pensamento geométrico se desenvolve a partir de habilidades mentais relacionadas à navegação.

Hipótese dos Viajantes para a geometria
A hipótese dos Viajantes, proposta por Dillon, sugere que animais, mesmo sem conhecimento formal de ângulos ou triângulos, conseguem navegar eficientemente. Essa habilidade é observada até em bebês, que demonstram compreensão sobre distância, direção e forma. A pesquisa indica que essas capacidades geométricas se aproximam da geometria euclidiana, mas não a reproduzem perfeitamente.
Papel da linguagem na cognição geométrica
Dillon destaca que a principal diferença entre humanos e outras espécies não reside em uma linguagem geométrica especializada, mas na própria linguagem humana. A linguagem permite que os humanos utilizem a geometria de navegação de maneiras inovadoras, como resolver problemas geométricos mentalmente, sem a necessidade de deslocamento físico.

O estudo de Moira Dillon, intitulado “The cognitive origins of geometry”, foi publicado na revista Trends in Cognitive Sciences e pode ser acessado através do link DOI: 10.1016/j.tics.2026.01.005. A pesquisa contribui para um entendimento mais amplo sobre a relação entre cognição, linguagem e habilidades geométricas, desafiando concepções tradicionais sobre a exclusividade da geometria humana.






