Estudo revela nova função de medicamento contra leucemia

Pesquisadores do CeMM Research Center for Molecular Medicine, em colaboração com instituições como a Universidade de Oxford, descobriram novas funções do medicamento 6-tioguanina (6-TG), utilizado no tratamento da leucemia há mais de setenta anos. A pesquisa revelou que a proteína NUDT5 desempenha um papel crucial na resposta celular ao fármaco, desafiando a compreensão anterior sobre seu mecanismo de ação.
Descoberta sobre o 6-TG
O 6-TG é um medicamento amplamente utilizado no tratamento de leucemia, mas os detalhes moleculares de sua ação ainda não eram totalmente compreendidos. A equipe de pesquisa identificou que a presença da proteína NUDT5 é determinante para a resposta das células ao 6-TG. A remoção dessa proteína protege as células dos efeitos tóxicos do medicamento, indicando que sua função vai além da atividade enzimática tradicional.
Papel do NUDT5 na resposta celular
A pesquisa revelou que o NUDT5 atua como um organizador do metabolismo celular, não apenas como um catalisador de reações químicas. Os cientistas descobriram que inibir a atividade enzimática do NUDT5 não alterava significativamente a resposta das células ao 6-TG. Em vez disso, a presença da proteína em si era essencial para a sensibilidade ao medicamento, conforme indicado pelos experimentos realizados.
Método de degradação de proteínas
Os pesquisadores utilizaram uma abordagem inovadora chamada degradação direcionada de proteínas, que permite eliminar completamente a proteína NUDT5 das células. Essa estratégia revelou que a remoção do NUDT5, ao contrário da mera inibição de sua atividade, resultou em uma proteção significativa contra a toxicidade do 6-TG. Essa descoberta foi possível graças ao desenvolvimento de degradadores seletivos de NUDT5, que demonstraram eficácia superior em comparação aos inibidores convencionais.
Implicações para tratamentos de leucemia
Os achados têm implicações importantes para o tratamento da leucemia, sugerindo que a manipulação da proteína NUDT5 pode oferecer novas estratégias terapêuticas. A pesquisa também estabeleceu uma conexão intrigante entre NUDT5 e outra proteína, NUDT15, que influencia a resposta dos pacientes aos medicamentos tiopurínicos. A interação entre essas proteínas pode ajudar a explicar as variações na eficácia do tratamento entre diferentes pacientes.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Nature Communications, destacando a importância de compreender as funções não enzimáticas das proteínas para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes.






