Estudo sugere ondas gravitacionais de estrelas escuras antigas

Um estudo recente propõe que as ondas gravitacionais detectadas por arrays de pulsar podem revelar detalhes sobre a formação dos primeiros buracos negros supermassivos do universo. A pesquisa, conduzida por Sohan Ghodla e Cosmin Ilie da Colgate University, foi publicada na revista Physical Review D e sugere que essas ondas podem conter informações sobre eventos que ocorreram há mais de 13 bilhões de anos.
Formação de buracos negros supermassivos
Os buracos negros supermassivos são objetos com massas que podem ultrapassar bilhões de vezes a do Sol. A origem desses corpos celestes ainda é um tema de debate entre os cientistas. O estudo de Ghodla e Ilie sugere que sementes de buracos negros, formadas por estrelas escuras hipotéticas, poderiam ter contribuído significativamente para a formação desses buracos negros primordiais. Essas estrelas escuras, alimentadas por interações com a matéria escura, podem ter gerado buracos negros massivos que, ao se fundirem, geraram ondas gravitacionais detectáveis.
Pulsar Timing Arrays e ondas gravitacionais
Os Pulsar Timing Arrays (PTAs) utilizam pulsares, estrelas de nêutrons que emitem sinais de rádio com alta precisão, para detectar variações no tempo de chegada desses sinais causadas por ondas gravitacionais. A análise dos dados coletados por esses arrays revelou a presença de um fundo estocástico de ondas gravitacionais em frequências nanohertz, que pode ser atribuído a pares de buracos negros supermassivos em fusão. Essa técnica permite que os cientistas investiguem não apenas a presença de buracos negros atuais, mas também a história de sua formação.

Estrelas escuras e sua contribuição
As estrelas escuras são objetos hipotéticos que se formariam a partir de interações de matéria escura, em vez de processos de fusão nuclear convencionais. O estudo sugere que essas estrelas poderiam acumular massa e eventualmente colapsar em buracos negros supermassivos. Ghodla e Ilie modelaram a evolução desses buracos negros ao longo da história cósmica, indicando que os remanescentes de estrelas escuras poderiam ser responsáveis por uma parte significativa do sinal detectado pelos PTAs. A densidade estimada dessas estrelas escuras é de cerca de 10-3 Mpc-3, o que sugere uma contribuição dominante para o fundo de ondas gravitacionais.
Implicações para a astrofísica moderna
As descobertas têm implicações significativas para a astrofísica moderna, especialmente no que diz respeito à compreensão da formação de buracos negros supermassivos. O estudo indica que as observações atuais dos PTAs podem impor limites à quantidade de sementes de buracos negros que poderiam ter existido no universo primitivo. Se muitas dessas sementes fossem formadas, o sinal detectado pelos PTAs seria excessivo. Portanto, a pesquisa sugere que a densidade dessas sementes deve estar entre 10-2 e 10-1 Mpc-3 para se alinhar com as observações atuais.

O estudo de Ghodla e Ilie contribui para o entendimento da evolução dos buracos negros e das ondas gravitacionais, abrindo novas possibilidades para investigações futuras sobre a história do universo. Para mais detalhes, a pesquisa pode ser acessada através do link aqui.






