Estudo revela fungo como causa de desaparecimento de rãs no Brasil

Pesquisadores identificaram o fungo Batrachochytrium dendrobatidis como um dos principais responsáveis pelo desaparecimento de diversas espécies de rãs no Brasil entre 1979 e 1982. A investigação, que analisou espécimes de museu, sugere que a infecção por esse fungo pode ter contribuído para a drástica redução da população de anfíbios na Estação Biológica de Boracéia.
Fungo Batrachochytrium dendrobatidis e suas consequências
O fungo Batrachochytrium dendrobatidis causa a doença conhecida como quitridiomicose, que afeta diferentes espécies de anfíbios de maneiras variadas. A pesquisa realizada pelo Centro de Genômica de Conservação do Zoológico Nacional do Smithsonian e pela Universidade Estadual da Pensilvânia revelou que espécies que não sofreram grandes perdas populacionais apresentaram infecções disseminadas, enquanto aquelas que mais declinaram não mostraram sinais de infecção em espécimes preservados.
Análise de espécimes de museu e infecções
Os pesquisadores analisaram mais de 370 espécimes de rãs coletados em diferentes períodos, observando que as amostras coletadas antes de 1979 não apresentavam infecções por quitridiomicose. Em contraste, mais da metade dos espécimes coletados na década de 1980 testaram positivo para o fungo. Essa análise sugere que a infecção se espalhou rapidamente entre as populações de anfíbios durante o período em que as extinções começaram a ser registradas.
Impacto das mudanças climáticas e do fungo
Mudanças climáticas e eventos climáticos extremos foram inicialmente considerados como possíveis causas para as perdas em Boracéia. No entanto, os resultados do estudo indicam que a invasão regional do fungo Batrachochytrium dendrobatidis coincide com o desaparecimento de anfíbios, sugerindo que o impacto do patógeno foi mais significativo do que as alterações ambientais.

Recuperação das espécies de rãs em Boracéia
Entre 2022 e 2024, os pesquisadores realizaram visitas à Estação Biológica de Boracéia e encontraram 12 das 17 espécies que estavam representadas na coleção de William Ronald Heyer. Apesar da presença contínua do fungo, a maioria das espécies de anfíbios parece ter se recuperado desde os anos 1980. A pesquisa atual utiliza DNA coletado de amostras de museu para investigar os mecanismos genômicos que influenciaram as respostas históricas dessas espécies ao fungo.
Os resultados deste estudo, publicado na revista Molecular Ecology, contribuem para a compreensão das dinâmicas de extinção e recuperação de anfíbios, destacando a importância de monitorar a saúde das populações de rãs e os impactos de patógenos emergentes.






