Estudo identifica mais de 250 genes relacionados ao melanoma

Um estudo de genética realizado pelo QIMR Berghofer revelou a existência de mais de 250 genes associados à formação de pintas e ao risco de melanoma, o tipo mais letal de câncer de pele. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, representa um avanço significativo na compreensão dos fatores biológicos que influenciam a formação de pintas e o desenvolvimento do melanoma.
Pesquisa revela novos genes associados à formação de pintas
Os pesquisadores analisaram dados genéticos de mais de 85 mil pessoas de ascendência europeia e identificaram 24 regiões genéticas previamente desconhecidas relacionadas à contagem de pintas. Essa descoberta representa um aumento significativo em relação a um estudo anterior de 2018, que havia identificado apenas cinco regiões. A equipe do QIMR Berghofer constatou que quase todas essas regiões estão também ligadas ao risco de melanoma.
Implicações para tratamento e prevenção do melanoma
A identificação desses genes pode abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos e estratégias de prevenção do melanoma. O gene SIKE1, por exemplo, está relacionado à regulação das respostas imunológicas e sua disfunção pode permitir o crescimento descontrolado de melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele. Essa descoberta sugere que SIKE1 pode se tornar um alvo promissor para futuras terapias imunológicas.
Genética e risco de melanoma: uma relação complexa
A genética desempenha um papel crucial na determinação da quantidade de pintas, sendo que a presença de muitas delas é um dos principais fatores de risco para o melanoma. Aproximadamente um terço dos melanomas se desenvolvem a partir de pintas já existentes. O estudo atual amplia a compreensão sobre como fatores genéticos interagem com outros riscos conhecidos, como exposição ao sol e características da pele.

Desenvolvimento de ferramentas para triagem de risco
Com base nas descobertas, os pesquisadores desenvolveram uma ferramenta chamada Polygenic Risk Score (PRS), que visa identificar indivíduos geneticamente predispostos a ter um grande número de pintas. Essa ferramenta poderá ser incorporada a programas de triagem de melanoma, melhorando a detecção de pessoas em alto risco que podem se beneficiar de monitoramento adicional. O estudo é um passo importante para aprimorar a prevenção e o tratamento do melanoma, uma doença que continua a ser uma preocupação significativa na Austrália.
As descobertas do QIMR Berghofer representam um avanço significativo na pesquisa sobre melanoma, com potencial para impactar diretamente as estratégias de tratamento e prevenção dessa doença. A continuidade do trabalho em genética e câncer de pele é essencial para reduzir as taxas de mortalidade associadas ao melanoma.






