Implante cerebral é controlado a 10.000 km de distância

Cientistas operaram um implante cerebral em roedor na Coreia do Sul a partir de computador nos Estados Unidos, em teste realizado em tempo real via internet. O dispositivo, desenvolvido pelo Instituto Avanzado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) e pela Universidade Yonsei, permite estimulação óptica e liberação de fármacos sem necessidade de cabos ou presença física no laboratório.
O equipamento tem dimensões reduzidas e integra microdosador de medicamentos e LEDs para ativação neuronal. A conexão com a rede global possibilita o envio de comandos remotamente ou a programação automática de estímulos, eliminando o estresse animal causado por manipulação direta e melhorando a precisão dos dados experimentais.

Em testes de quatro semanas com camundongos, pesquisadores administraram cocaína e ativaram luzes cerebrais simultaneamente para suprimir comportamentos ligados à dependência química. O sistema magnético desmontável permite recarga do reservatório de fármacos sem nova cirurgia, viabilizando estudos de longa duração com animais em livre movimento.
A tecnologia transforma implantes wireless em plataformas capazes de experimentos remotos e automáticos, segundo o professor Jae-Woong Jeong, do KAIST. A professora Wha Young Kim, da Universidade Yonsei, afirma que o controle preciso de circuitos cerebrais específicos pode identificar causas de doenças neurodegenerativas, depressão e vícios.

No futuro, chips implantáveis combinados com inteligência artificial poderão liberar doses exatas de medicamentos conforme a atividade cerebral do paciente. A pesquisa, liderada pelos doutorandos Eun Young Jeong e Jong Woo Park, foi publicada na revista científica Science Advances.






