Inflamação pode reativar células cancerígenas dormentes

Pesquisadores do Francis Crick Institute descobriram que a inflamação intestinal pode reativar células de câncer de mama que estavam dormentes em um modelo de osso extramedular. O estudo, publicado na revista Cell Reports, sugere que a resposta do corpo à inflamação pode criar condições favoráveis ao crescimento do câncer.
Estudo do Francis Crick Institute
O estudo liderado pela pesquisadora Ilaria Malanchi investigou como a inflamação no intestino pode afetar células cancerígenas inativas que se alojaram na medula óssea. Essas células, que podem permanecer dormentes por anos após o tratamento do tumor original, representam um risco significativo de recaída.

Modelo de osso extramedular
Os cientistas desenvolveram um modelo de osso extramedular, que consiste em tecido ósseo cultivado a partir de células-tronco esqueléticas. Esse modelo simula a medula óssea e permite estudar a interação entre células cancerígenas e o ambiente imunológico. A pesquisa demonstrou que a maioria das células tumorais inseridas nesse modelo entrou em um estado dormente.

Impacto da inflamação intestinal
Ao induzir colite intestinal nos camundongos, os pesquisadores observaram que a inflamação desencadeou uma produção rápida de células imunológicas a partir do osso. Essa resposta exigiu uma reorganização do ambiente da medula, o que levou a um aumento na divisão das células cancerígenas dormentes, elevando a probabilidade de formação de tumores.

Implicações para o tratamento do câncer
Os resultados indicam que o aumento da produção de células imunológicas, embora parte da resposta normal à inflamação, pode interromper a dormência tumoral e favorecer o crescimento metastático. A pesquisa sugere que o monitoramento de infecções e inflamações após a remissão pode ajudar na identificação de períodos em que as células dormentes estão mais propensas a se reativar.
A compreensão dos fatores que afetam a medula óssea pode levar a intervenções precoces, uma vez que células cancerígenas ativas podem responder à quimioterapia. O estudo completo pode ser acessado através do link: DOI: 10.1016/j.celrep.2026.118088.






