Cientistas encontram ligação entre células-tronco e tumores cerebrais infantis

Pesquisadores da Universidade de Lund descobriram uma conexão inesperada entre uma molécula utilizada em células-tronco e tumores cerebrais em crianças. A molécula, chamada UM171, pode oferecer novas perspectivas para o tratamento de meduloblastomas, o tipo mais comum de tumor maligno no cérebro infantil.
Descoberta de molécula UM171
A molécula UM171, desenvolvida por pesquisadores da Université de Montréal, é utilizada para aumentar a quantidade de células-tronco sanguíneas fora do corpo, mantendo-as em estado de célula-tronco. Essa descoberta levou os cientistas a investigar como a UM171 pode estar relacionada a mutações genéticas em tumores cerebrais infantis, especialmente em um subgrupo de meduloblastomas.
Mecanismo de ação e mutações genéticas
A pesquisa revelou que a UM171 atua por meio da proteína KBTBD4, que provoca a degradação de um grupo de proteínas conhecido como CoREST. Essa mesma estrutura celular é afetada por mutações no gene KBTBD4, que ocorrem em alguns tumores cerebrais agressivos em crianças. Embora as causas das alterações sejam diferentes, o resultado final é semelhante: a degradação do CoREST, levando a um estado semelhante ao de células-tronco.

Implicações para o tratamento de meduloblastomas
A identificação dessa conexão sugere que a UM171 pode ser um ponto de partida para o desenvolvimento de tratamentos para meduloblastomas. Os pesquisadores realizaram testes em larga escala e descobriram que inibidores de HDAC, que já são aprovados para outras indicações, podem contrabalançar os efeitos das mutações associadas ao KBTBD4. Essa abordagem de reposicionamento de medicamentos pode abrir novas possibilidades terapêuticas.
Próximos passos na pesquisa
Os próximos passos incluem testar a eficácia dos inibidores de HDAC em tumores de meduloblastoma, uma vez que os experimentos iniciais foram realizados apenas em células-tronco sanguíneas. Os pesquisadores enfatizam a importância de explorar como esses medicamentos podem ser aplicados no tratamento de tumores cerebrais, buscando responder a questões clínicas relevantes. A pesquisa foi publicada no periódico Cancer Gene Therapy e pode ser acessada através do DOI: 10.1038/s41417-026-01068-x.

A descoberta da ligação entre a UM171 e os tumores cerebrais infantis representa um avanço significativo na compreensão dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento desses cânceres. A continuidade da pesquisa poderá oferecer novas opções de tratamento e melhorar as perspectivas para crianças diagnosticadas com meduloblastomas.






