Estudo sugere que matéria escura explica brilho da Via Láctea

Um novo estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pela Universidade de Viena e pelo Lawrence Berkeley National Laboratory, revisita o brilho gama observado no centro da Via Láctea. A pesquisa, publicada na revista Physical Review Letters, utiliza aprendizado de máquina para analisar o fenômeno conhecido como Galactic Center Excess (GCE), que tem sido objeto de debate por mais de uma década.
Análise do brilho gama no centro da Via Láctea
O Galactic Center Excess é uma emissão de raios gama que se estende por milhares de anos-luz ao redor do centro da Via Láctea. Desde sua identificação, diversas teorias tentam explicar sua origem, incluindo a possibilidade de que seja causada por matéria escura ou por uma população não observada de pulsares milissegundos. A complexidade da região torna a interpretação do sinal um desafio, segundo Florian List, um dos autores do estudo.
Método de aprendizado de máquina aplicado
Para superar limitações de análises anteriores que favoreciam a explicação dos pulsares, os pesquisadores desenvolveram um sistema de aprendizado de máquina treinado com mais de um milhão de simulações de observações de raios gama. Este modelo inova ao analisar simultaneamente as localizações e as energias dos fótons detectados, permitindo uma comparação mais abrangente entre as explicações concorrentes.
Implicações para a matéria escura
A inclusão dos dados de energia dos fótons alterou significativamente os resultados. Análises anteriores sugeriam que o brilho era proveniente de fontes de luz relativamente brilhantes, mas não resolvidas. A nova abordagem indica que, se essas fontes forem pulsares milissegundos, elas precisariam ser extremamente fracas, quase indistinguíveis da emissão esperada de matéria escura. Nick Rodd, outro autor do estudo, afirma que a quantidade de pulsares necessária para explicar o brilho seria muito maior do que o estimado anteriormente.
Continuidade do debate sobre a origem do brilho
O debate sobre a origem do Galactic Center Excess continua. Embora o estudo não prove que a matéria escura seja a responsável pelo sinal, ele sugere que essa hipótese ainda não pode ser descartada. Florian List ressalta que a pesquisa enfraquece um dos principais argumentos contra a ideia de que a matéria escura poderia estar envolvida. Assim, a matéria escura permanece como uma explicação viável para um dos mistérios mais intrigantes da Via Láctea.
A pesquisa completa pode ser acessada através do link DOI: 10.1103/dkcq-6y4f. Para mais atualizações, siga as publicações no Google e no Google News.






