Estudo revela memória molecular que pode explicar ganho de peso

Pesquisadores do Harrington Discovery Institute, vinculado à University Hospitals e à Case Western Reserve University, identificaram um mecanismo que pode explicar a tendência de reganho de peso em pessoas que já foram obesas. O estudo, publicado na revista Cell Reports, sugere que a obesidade deixa uma memória molecular nas células de gordura, que intensifica a sensação de fome mesmo após a perda de peso.
Mecanismo da memória celular na obesidade
Os pesquisadores descobriram que a produção do hormônio asprosin, liberado pelo tecido adiposo, aumenta durante a obesidade. Esse hormônio sinaliza ao cérebro para estimular o apetite. A exposição breve a TGF-β1, uma molécula inflamatória, provoca mudanças epigenéticas duradouras nas células de gordura, mantendo a produção de asprosin elevada mesmo após a redução de peso.
O papel do asprosin na regulação do apetite
O asprosin atua como um sinal que permanece ativo após a perda de peso, dificultando o controle do apetite. De acordo com Atul Chopra, um dos autores do estudo, essa persistência do sinal pode explicar a dificuldade em evitar o reganho de peso após o término de tratamentos. Além disso, o asprosin pode atravessar a placenta, programando a suscetibilidade à obesidade em recém-nascidos.

Implicações para o tratamento da obesidade
As descobertas sugerem que a obesidade deve ser tratada como uma condição que deixa marcas biológicas duradouras. Os medicamentos GLP-1, que ajudam na perda de peso ao reduzir a fome, não eliminam as mudanças celulares que predisponham o corpo a um novo aumento de peso. A identificação do mecanismo do asprosin abre novas possibilidades para o desenvolvimento de terapias que possam mitigar esse sinal persistente.
Experimentos em modelos animais
Os pesquisadores realizaram experimentos em modelos animais para testar a interferência no caminho molecular do asprosin. Ao bloquear esse caminho, foi possível prevenir o reganho de peso após dietas e a transmissão da suscetibilidade à obesidade de mães para filhotes. Essas evidências reforçam a necessidade de entender melhor os mecanismos biológicos que sustentam a obesidade ao longo das gerações.

As descobertas deste estudo podem ter um impacto significativo na forma como a obesidade é abordada clinicamente, enfatizando a importância de intervenções que considerem as alterações biológicas permanentes nas células de gordura.






