Microbios intestinais de peixes influenciam saúde oceânica

Um estudo recente revela que microrganismos presentes no intestino de peixes podem desempenhar um papel crucial na regulação da saúde dos oceanos e no ciclo global do carbono. A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Miami, sugere uma colaboração inesperada entre peixes e suas bactérias intestinais na produção de carbonato de cálcio, um mineral essencial para a química oceânica.
Parceria entre peixes e microrganismos
Os peixes ósseos, conhecidos como teleósteos, mantêm a hidratação ao beber água do mar, processando-a e eliminando íons de cálcio e carbonato. A pesquisa indica que a microbiota intestinal dos peixes pode ser um fator importante na produção de pellets sólidos de carbonato de cálcio, conhecidos como icthyocarbonatos. Martin Grosell, professor de Ictiologia, afirma que essa simbiose entre peixes e microrganismos pode ser mais significativa do que se pensava anteriormente.
Experimentos com diferentes salinidades
Os pesquisadores realizaram experimentos em laboratório com o peixe-gato do golfo, expostos a diferentes concentrações de sal. Os peixes foram mantidos em água salobra (9 ppt), água do mar normal (35 ppt) e água hipersalina (60 ppt). Os resultados mostraram que a produção de icthyocarbonatos aumentou em ambientes mais salgados, enquanto peixes em água de baixa salinidade não produziram os pellets.
Análise do microbioma intestinal dos peixes
A equipe de pesquisa coletou amostras de várias áreas do intestino dos peixes, bem como dos icthyocarbonatos e da água circundante. Análises de DNA e RNA permitiram examinar as comunidades microbianas presentes e a atividade gênica dos peixes e de seus microrganismos. Os resultados indicaram que vibrios, especialmente Photobacterium damselae subsp. damselae, eram abundantes e possuíam capacidades associadas à produção de icthyocarbonatos.
Impactos na saúde dos oceanos e no ciclo do carbono
As descobertas ressaltam como organismos microscópicos podem influenciar processos ambientais em larga escala. Grosell enfatiza que a simbiose entre o peixe-gato e os vibrios é um exemplo notável de como a diversidade biológica e as interações microbianas podem afetar a química oceânica e o armazenamento de carbono. O estudo foi apoiado por fundos da Universidade de Miami e pelo projeto PID2023-152522NB-I00, financiado pelo Ministério da Ciência, Inovação e Universidades da Espanha.
As evidências obtidas neste estudo ampliam a compreensão sobre a importância das interações entre organismos marinhos e seus microbiomas, destacando a relevância desses processos para a saúde dos oceanos e para o equilíbrio do ciclo do carbono no planeta.






