Estudo revela microrganismos associados à múmia Ötzi

Uma pesquisa recente analisou o microbioma da múmia Ötzi, revelando a presença de microrganismos que acompanharam o homem do gelo ao longo de mais de 5.000 anos. O estudo, publicado na revista Microbiome, oferece novas perspectivas sobre a preservação de restos mortais antigos e a sobrevivência de microrganismos em condições extremas.
Análise detalhada do microbioma de Ötzi
Os pesquisadores realizaram uma análise abrangente, separando os microrganismos que estavam presentes durante a vida de Ötzi daqueles que chegaram posteriormente. A equipe utilizou técnicas genéticas e microbiológicas para examinar amostras de tecidos internos, gelo superficial e água derretida coletada dentro da múmia. Essa abordagem permitiu identificar traços do microbioma intestinal original de Ötzi, que se assemelha a bactérias conhecidas de populações humanas antigas.

Leveduras adaptadas ao frio encontradas na múmia
Entre as descobertas, os cientistas identificaram um grupo inesperado de leveduras adaptadas ao frio, que provavelmente se originaram no ambiente glacial. Essas leveduras foram recuperadas de amostras de pele, água derretida e conteúdos estomacais. A análise genética revelou que estão relacionadas a cepas encontradas em regiões extremamente frias, como a Antártica, sugerindo que essas leveduras permanecem associadas à múmia há milênios.

Impacto das condições de preservação
As condições de preservação da múmia, mantidas a uma temperatura constante de -6 graus Celsius e umidade relativa de 99%, parecem favorecer a continuidade da vida microbiana. Os pesquisadores observaram que algumas leveduras possuem genes que lhes permitem degradar fenol, um composto utilizado em tratamentos anteriores para remover fungos da superfície da múmia. Isso indica que as condições de conservação podem ter incentivado o crescimento de certos microrganismos.

Relevância para pesquisas futuras
Os resultados do estudo têm implicações significativas para a conservação de múmias e a compreensão do microbioma humano ao longo da história. A pesquisa sugere que a múmia Ötzi não é um relicário estático, mas um sistema biológico dinâmico. A continuidade da vida microbiana sob condições controladas pode oferecer novas oportunidades para estudos sobre a evolução do microbioma humano e suas interações com o ambiente.

A análise do microbioma de Ötzi representa um avanço importante na pesquisa sobre restos humanos antigos e pode contribuir para futuras estratégias de preservação e estudo de microrganismos em condições extremas.






