Cientistas revelam nova função de molécula inflamatória

Pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK) descobriram uma nova função da molécula 5-oxoETE, que desempenha um papel crucial na resposta inflamatória. A pesquisa, publicada na revista Nature, revela que essa molécula não apenas recruta células imunológicas para combater infecções, mas também protege tecidos saudáveis contra danos.
Descoberta de função dupla da 5-oxoETE
A 5-oxoETE é conhecida por convocar células brancas do sangue para locais de infecção, onde elas atacam microrganismos nocivos. No entanto, a pesquisa revelou que, ao ativar um processo de defesa celular, a 5-oxoETE também protege as células intestinais de estresses químicos provenientes de bactérias normais do intestino. Essa dupla função foi uma surpresa para os cientistas, que esperavam que a remoção do receptor da 5-oxoETE resultasse em menos inflamação, mas observaram o contrário.
Experimentos com zebrafish e suas implicações
Os pesquisadores utilizaram zebrafish para investigar a função da 5-oxoETE, uma vez que esses peixes possuem um receptor imunológico que os mamíferos não têm. Ao desativar o gene hcar1-4, que permite a detecção da 5-oxoETE, os zebrafish desenvolveram inflamação intestinal sem infecção, desafiando as expectativas dos cientistas. Essa abordagem foi fundamental para entender como a via de sinalização da 5-oxoETE opera em organismos vivos.

Identificação do gene DHRS7
Durante a pesquisa, Yanan Ma identificou o gene DHRS7 como responsável pela produção da enzima que gera a 5-oxoETE. Embora a atividade dessa enzima tenha sido observada desde 1992, sua origem genética nunca havia sido determinada. Essa descoberta é significativa, pois permite uma compreensão mais profunda do papel da 5-oxoETE na inflamação e na proteção celular.
Implicações para doenças inflamatórias e câncer
As mutações nos genes DHRS7 e OXER1 estão associadas a certos tipos de câncer, e a sinalização alterada da 5-oxoETE tem sido relacionada a doenças inflamatórias, como a doença inflamatória intestinal e asma. Os pesquisadores sugerem que a ativação dessa via pode aumentar a resiliência do intestino ao estresse oxidativo, o que pode ser benéfico em tratamentos como a radioterapia e quimioterapia. A pesquisa também conecta essa via a lesões físicas, indicando que o estresse mecânico pode iniciar uma resposta protetora coordenada.

A descoberta da função dupla da 5-oxoETE abre novas possibilidades para o tratamento de doenças inflamatórias e câncer, destacando a importância de entender as complexas interações entre os sistemas imunológico e celular. Para mais detalhes, consulte o estudo publicado em Nature.






