Pesquisadores reavaliam experimento sobre desenvolvimento animal

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade Friedrich Schiller de Jena, na Alemanha, revisita um experimento seminal da biologia do desenvolvimento, realizado há um século, que identificou o papel do “organizador” embrionário. A pesquisa, publicada na revista Nature, revela que esse mecanismo pode ser mais antigo do que se pensava, remontando às primeiras etapas da evolução animal.
Revisão de experimento centenário
O experimento original, conduzido em 1924 por Hans Spemann e Hilde Mangold, demonstrou que um pequeno grupo de células em um embrião pode atuar como um centro de comando, orientando o desenvolvimento do corpo. Os pesquisadores de Jena realizaram uma nova abordagem utilizando embriões de águas-vivas do tipo ctenóforo, especificamente a espécie Mnemiopsis leidy, para investigar se o mesmo princípio se aplicava a esses organismos.
Descoberta em águas profundas da evolução
Os cientistas descobriram que os ctenóforos utilizam um sistema de sinalização embrionária semelhante ao dos vertebrados para organizar seus eixos corporais. Essa descoberta sugere que as instruções fundamentais para a formação do corpo animal podem ter surgido nas primeiras fases da vida multicelular, indicando uma conexão evolutiva mais profunda entre diferentes linhagens animais.
Precisão em transplantes de tecidos
Os pesquisadores realizaram transplantes de tecido da região do blastóporo de um embrião de ctenóforo para outro. O embrião receptor formou um segundo eixo corporal, replicando os resultados do experimento original com embriões de anfíbios. A precisão necessária para esses transplantes foi notável, uma vez que os embriões medem apenas 120 micrômetros, exigindo um controle meticuloso durante o procedimento.

Resultados em diferentes linhagens animais
Além de realizar transplantes entre embriões de ctenóforos, a equipe também testou a transferência de tecido em embriões de anêmonas do mar, um grupo distinto de cnidários. Os resultados mostraram que o tecido transplantado induziu a formação de um eixo adicional, evidenciando que o mecanismo do organizador pode atuar através de diferentes grupos animais, mesmo separados por milhões de anos de evolução.
A pesquisa não apenas reitera a importância do conceito de organizador na biologia do desenvolvimento, mas também abre novas perspectivas sobre a evolução dos mecanismos de formação do corpo em organismos multicelulares.






