Estudo revela poluição global por trifluoroacético (TFA)

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Lancaster aponta que substâncias químicas utilizadas para proteger a camada de ozônio geraram uma significativa poluição global por trifluoroacético (TFA), um composto persistente conhecido como “químico para sempre”. Desde 2000, mais de 335 mil toneladas de TFA foram depositadas na superfície da Terra, afetando ambientes diversos, de águas pluviais a regiões remotas do Ártico.
Causas da poluição global por TFA
A pesquisa revela que os refrigerantes e certos gases anestésicos, que substituíram os clorofluorocarbonetos (CFCs) prejudiciais ao ozônio, são os principais responsáveis pela emissão de TFA. Esses compostos, conhecidos como hidrofluorocarbonetos (HFCs) e hidroclorofluorocarbonetos (HCFCs), continuam a ser utilizados em sistemas de refrigeração, apesar de estarem sendo gradualmente eliminados em conformidade com o Protocolo de Montreal e a Emenda de Kigali.
Impactos ambientais e à saúde humana
O TFA é classificado pela Agência Europeia de Produtos Químicos como prejudicial à vida aquática. Estudos recentes detectaram a presença de TFA no sangue e na urina de humanos, levantando preocupações sobre seus efeitos a longo prazo. O Escritório Federal de Químicos da Alemanha propôs a classificação do TFA como potencialmente tóxico para a reprodução humana, embora algumas agências afirmem que os níveis atuais no meio ambiente estão abaixo dos limites considerados prejudiciais.
Metodologia da pesquisa sobre TFA
Os pesquisadores utilizaram modelagem avançada de “transporte químico” para rastrear a movimentação e a degradação dos compostos na atmosfera. A metodologia incluiu a comparação de estimativas modeladas de produção e deposição de TFA com observações reais, como medições de águas pluviais e núcleos de gelo do Ártico. O modelo incorporou dados de uma rede de monitoramento global que acompanha as concentrações atmosféricas dos gases emissores.
Resultados e implicações para a regulação
Os resultados indicam que a maioria do TFA detectado no Ártico provém de produtos químicos substitutos dos CFCs, evidenciando a necessidade de uma regulação mais rigorosa. A pesquisa sugere que a produção anual de TFA pode atingir seu pico entre 2025 e 2100, o que implica em um aumento contínuo da poluição. A autora principal do estudo, Lucy Hart, enfatiza que a substituição de químicos prejudiciais deve ser acompanhada de uma análise cuidadosa dos riscos associados.
A pesquisa foi publicada na revista Geophysical Research Letters e pode ser acessada através do link aqui. Os resultados ressaltam a importância de considerar os impactos ambientais de novos compostos químicos utilizados na indústria.






