Pesquisadores revelam que portos antigos eram maiores do que se pensava

Pesquisadores da Universidade de Haifa e da Universidade Paul Valery de Montpellier apresentaram novas evidências que indicam que os portos antigos eram significativamente maiores do que as estimativas anteriores sugeriam. A pesquisa, parte do projeto SHIPs, propõe uma reavaliação da importância dos portos na Antiguidade, destacando áreas de ancoragem externas que foram fundamentais para o tráfego marítimo.
Nova abordagem na arqueologia subaquática
A arqueologia subaquática passa por uma revolução silenciosa, com pesquisadores questionando a forma tradicional de avaliar a importância dos portos. Historicamente, a análise se concentrou em estruturas visíveis, como píeres e quebra-mares, desconsiderando áreas de ancoragem que desempenhavam papéis cruciais no funcionamento dos portos. O projeto SHIPs propõe uma nova perspectiva, analisando os portos do mar e não da terra.
Metodologia do projeto SHIPs
O projeto SHIPs, que se estenderá de 2023 a 2028 e é financiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa, busca identificar e analisar os diferentes componentes dos sistemas portuários. A metodologia envolve uma abordagem multivariada que considera bacias, baías e áreas de ancoragem auxiliares, permitindo uma avaliação mais precisa da capacidade dos portos. Os pesquisadores afirmam que a capacidade de um porto só pode ser avaliada de forma significativa por meio dessa análise integrada.

Estudos de caso em portos mediterrâneos
A equipe aplicou sua metodologia em três locais mediterrâneos: Caesarea (Israel), Terracina (Itália) e Port-Vendres (França). Em Caesarea, a pesquisa confirmou que o sistema portuário se estendia além da bacia herodiana, aumentando sua capacidade estimada. Em Terracina, a sedimentação alterou as áreas de ancoragem ao longo do tempo, enquanto em Port-Vendres, a distribuição de naufrágios indicou um tráfego marítimo mais intenso do que o sugerido por uma análise superficial das estruturas portuárias.
Importância das técnicas de amarração
Além do espaço disponível, a capacidade de um porto também depende das técnicas de amarração utilizadas. Os pesquisadores reconstruíram práticas de amarração por meio de evidências documentais e arqueológicas, incluindo cordas preservadas e anéis de amarração. A escavação do píer bizantino de Tiberíades, no Mar da Galileia, forneceu dados adicionais sobre o comportamento do argamassa em ambientes de água doce, confirmando seu uso contínuo além do período imperial.

A pesquisa sobre os portos antigos e suas capacidades expande o entendimento sobre a dinâmica do tráfego marítimo na Antiguidade. A reavaliação das áreas de ancoragem e das técnicas de amarração pode levar a novas interpretações sobre a importância econômica e social desses locais. Para mais informações, consulte o artigo publicado em doi:10.15184/aqy.2026.10424.






