Pesquisadores restauram o tato com estimulação elétrica cerebral

Um estudo de longa duração realizado por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh e da Universidade de Chicago demonstrou que a estimulação elétrica do cérebro pode recriar a sensação de tato em pessoas com lesões na medula espinhal. A pesquisa, publicada na revista Science Translational Medicine, é a mais extensa sobre microestimulação intracortical em humanos, com um acompanhamento de cinco indivíduos ao longo de 27 anos.
Estudo de longa duração com interfaces cérebro-máquina
Os participantes do estudo receberam dispositivos de interface cérebro-máquina (BCI) que permitiram a entrega de aproximadamente 168 milhões de pulsos elétricos ao cérebro. Os pesquisadores monitoraram a segurança e a eficácia da tecnologia, que não apresentou eventos adversos significativos durante o período de observação.
Como a estimulação elétrica recria sensações táteis
A interface cérebro-máquina traduz a atividade neural em comandos que operam dispositivos, além de enviar informações ao cérebro. Pulsos elétricos foram direcionados ao córtex somatossensorial, responsável pelo processamento do toque. Essa retroalimentação é crucial para a funcionalidade de dispositivos neuroprotéticos, permitindo que os usuários percebam pressão, força de aperto e textura.
Resultados positivos e estabilidade das sensações artificiais
Os resultados mostraram que as pulsações elétricas continuaram a produzir sensações associadas à mão, mesmo após anos de estimulação. Sensações persistentes foram raras, ocorrendo em média uma vez a cada 23 mil tentativas de estimulação, e a maioria desapareceu em até 10 segundos após o término da estimulação.
Desafios e limitações da tecnologia de eletrodos
Um dos principais desafios identificados foi a durabilidade dos eletrodos, com uma média de 64% permanecendo funcionais ao longo do tempo. Apesar de alguns eletrodos terem mantido seu funcionamento por até 10 anos, a taxa de declínio aumentou conforme o estudo avançava. Essa limitação sugere a necessidade de desenvolvimento de soluções de longo prazo para pacientes.
A pesquisa abre novas possibilidades para o uso de microestimulação em outras áreas sensoriais, como visão e audição, ampliando o potencial de restauração de sentidos perdidos. Para mais detalhes, o estudo completo pode ser acessado através do link aqui.






