Solar Orbiter detecta vibrações de alta velocidade no Sol

Pesquisadores do Peking University identificaram ondas magnéticas de alta frequência na coroa polar do Sol, utilizando dados do Solar Orbiter. Essa descoberta pode oferecer novas explicações sobre a aceleração do vento solar e as características da atmosfera solar.
Descoberta de ondas magnéticas rápidas
A equipe liderada pelo Dr. Yuhang Gao e pelo Prof. Hui Tian observou que o Solar Orbiter, com seu Imager de Ultravioleta Extremo (EUI), detectou 2.318 eventos de ondas magnéticas, em comparação com os 560 eventos registrados pelo Solar Dynamics Observatory (SDO). Essa diferença significativa é atribuída à capacidade superior do EUI, que captura imagens a cada cinco segundos com uma resolução de 420 km por pixel.
Comparação entre Solar Orbiter e SDO
O SDO, que possui uma taxa de captura de imagens de 12 segundos e resolução de 1.100 km por pixel, revelou uma menor quantidade de ondas rápidas. A análise dos dados mostrou que 38% das ondas detectadas pelo EUI tinham comprimentos de onda inferiores a 100 segundos, enquanto apenas 9% das ondas do SDO apresentavam essa característica. Além disso, a velocidade média das ondas no EUI era de 15,4 km/s, em contraste com os 9,9 km/s do SDO.
Possíveis fontes das ondas magnéticas
Os pesquisadores sugerem três possíveis fontes para essas ondas magnéticas. A primeira envolve a interação de laços magnéticos com linhas de campo magnético desconectadas, resultando em ondas rápidas. A segunda fonte pode ser a formação de ondas transversais a partir de jatos de plasma chamados espículas. A terceira hipótese considera que ondas maiores e mais lentas podem colidir, gerando cascatas turbulentas de ondas menores.
Implicações para a física solar
As ondas detectadas podem ajudar a elucidar questões fundamentais da física solar, como a razão pela qual a camada externa do Sol é tão quente e como os íons do vento solar alcançam velocidades elevadas. Apesar de os mecanismos de criação dessas ondas ainda não estarem totalmente definidos, a pesquisa sugere que a energia gerada pode influenciar diretamente a temperatura da atmosfera solar e a aceleração do vento solar.
A pesquisa foi publicada na revista National Science Review e representa um avanço significativo na compreensão da dinâmica solar. A missão Solar Polar-orbit Observatory (SPO), prevista para 2029, pode fornecer dados ainda mais detalhados sobre essas ondas magnéticas.






