SPHEREx mapeia atmosferas de anãs marrons próximas à Terra

A missão SPHEREx, da NASA, tem proporcionado avanços significativos no estudo das anãs marrons, objetos celestes que não atingiram a fusão nuclear necessária para serem considerados estrelas. Recentemente, pesquisadores liderados por Zafar Rustamkulov, do Caltech e do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, publicaram um estudo que analisa as atmosferas dessas anãs, utilizando dados obtidos pelo telescópio.
Características das anãs marrons
As anãs marrons são corpos celestes que se situam entre planetas gasosos e estrelas. Elas possuem massa insuficiente para iniciar a fusão do hidrogênio, mas são grandes o suficiente para serem classificadas como objetos subestelares. Com temperaturas que variam de aproximadamente -20 °C a 2.200 °C, essas anãs apresentam características atmosféricas que mudam ao longo do tempo, incluindo resfriamento e diminuição de tamanho.
Avanços da missão SPHEREx
Lançado em maio de 2025, o telescópio SPHEREx mapeia o céu em 102 canais de comprimento de onda contínuos, cobrindo de 0,75 a 5 micrômetros. Essa capacidade permite a observação de 80% da energia térmica emitida pelas anãs marrons. A equipe de Rustamkulov analisou 33 anãs marrons próximas, localizadas entre 7 e 100 anos-luz da Terra, abrangendo as classes espectrais L, T e Y.
Resultados da pesquisa sobre atmosferas
Os dados obtidos pelo SPHEREx foram comparados a cinco modelos teóricos de atmosferas de anãs marrons. Os resultados mostraram que nenhum dos modelos se adequava completamente às observações, especialmente em relação a picos de fluxo no infravermelho e a uma janela de opacidade crítica em torno de 4 micrômetros. Além disso, as previsões de tamanho das anãs estavam frequentemente incorretas, variando de 20% a 50% em relação aos dados observados.
Implicações para modelos teóricos
As descobertas indicam a necessidade de aprimoramento nos modelos teóricos utilizados para descrever as atmosferas de anãs marrons. A pesquisa sugere que a dinâmica atmosférica dessas anãs pode diferir significativamente da observada em planetas gigantes, como Júpiter. O SPHEREx continuará a coletar dados durante seu levantamento de dois anos, o que deve fornecer informações adicionais para refinar os modelos existentes e melhorar a compreensão das características atmosféricas desses objetos.
A missão SPHEREx representa um avanço importante na astrofísica, oferecendo novas perspectivas sobre a formação e evolução de corpos celestes que não se enquadram nas categorias tradicionais de estrelas ou planetas. O estudo das anãs marrons pode contribuir para o entendimento mais amplo da dinâmica atmosférica em diferentes contextos astrofísicos.






