SPHEREx registra contaminação por trilhas de satélites

Um estudo recente revela que o telescópio espacial SPHEREx, da NASA, enfrenta sérios problemas de contaminação em suas imagens devido a trilhas deixadas por satélites artificiais. A pesquisa, realizada por cientistas do Ames Research Center, aponta que 73,3% das imagens coletadas entre maio e setembro de 2025 foram afetadas por pelo menos uma dessas trilhas.
Contaminação nas imagens do SPHEREx
As imagens do SPHEREx, projetado para mapear o céu em luz infravermelha, estão sendo comprometidas por trilhas de satélites em órbita. A pesquisa indica que, em média, cada exposição do telescópio apresenta 2,18 trilhas, que se distribuem em um padrão que imita as órbitas das megaconstelações de satélites. Essa contaminação resulta em imagens com dados fotométricos perdidos, dificultando a análise científica.
Impacto da poluição luminosa
A poluição luminosa causada por satélites não afeta apenas o SPHEREx. Um estudo anterior, liderado por Sandor Kruk, revelou que a porcentagem de imagens do telescópio Hubble que cruzam com trilhas de satélites aumentou de 2,8% no início dos anos 2000 para 5,9% em 2021. A crescente luminosidade dos satélites comerciais tem contribuído para esse problema, tornando a observação astronômica cada vez mais desafiadora.
Crescimento da constelação de satélites
A situação tende a se agravar com os planos de lançamento de até 2 milhões de satélites em órbita baixa da Terra, conforme propostas recentes da FCC. Se aprovados, esses lançamentos poderiam resultar em 100% das imagens do SPHEREx contaminadas por trilhas de satélites, aumentando a média de trilhas por imagem para 189. Essa expansão das constelações de satélites representa um desafio significativo para a astronomia.
Desafios para a astronomia
Os desafios impostos pela contaminação das imagens são alarmantes para a comunidade científica. A falta de um acordo internacional para regular o número de satélites em órbita tem gerado preocupações sobre o futuro da observação astronômica. A pesquisa publicada no arXiv destaca a urgência de se abordar essa questão antes que a poluição luminosa torne a observação do cosmos praticamente inviável.
A crescente contaminação das imagens por trilhas de satélites representa um desafio crítico para a astronomia moderna. A necessidade de um diálogo internacional sobre a regulação do espaço orbital se torna cada vez mais evidente, a fim de preservar a integridade das observações astronômicas e garantir que futuras gerações possam explorar o universo sem as limitações impostas pela poluição luminosa.





