Estudo relaciona tempo de tela na infância a desempenho escolar

Um estudo de longo prazo sugere que o tempo de exposição a telas durante a infância pode influenciar o aprendizado e a memória na vida adulta. Pesquisadores identificaram períodos críticos em que os hábitos de visualização se mostraram especialmente relevantes, levantando novas questões sobre a interação entre experiências precoces e o desenvolvimento cerebral.
Impacto do uso de telas na infância
A pesquisa, conduzida por cientistas do Inserm e da National University of Singapore, analisou dados de 502 crianças acompanhadas desde a infância até a fase escolar. Os resultados indicam que um maior tempo de tela, especialmente durante a infância e nas proximidades da entrada na escola, está associado a um desempenho acadêmico inferior aos 9 anos e a uma memória de trabalho mais fraca aos 10 anos e meio.
Metodologia da pesquisa
Os pesquisadores utilizaram informações do estudo Growing Up in Singapore Towards healthy Outcomes (GUSTO), avaliando o tempo de tela relatado pelos pais em seis idades diferentes. Posteriormente, foram medidos o desempenho acadêmico e a memória de trabalho das crianças. A pesquisa foi publicada no World Journal of Pediatrics e pode ser acessada através do DOI: 10.1007/s12519-026-01046-1.

Resultados e implicações do estudo
Os resultados mostraram que a exposição a telas durante a infância pode ter efeitos duradouros no aprendizado e na memória. As associações mais fortes foram observadas durante a infância, sugerindo que essa fase é particularmente sensível ao desenvolvimento cognitivo. A pesquisa também revelou que crianças com maior tempo total de tela ao longo da infância tendem a ter um desempenho escolar inferior.
Recomendações para uso de telas
Os autores do estudo sugerem que a redução do tempo de tela deve começar na infância e ser reforçada à medida que as crianças se aproximam da idade escolar. Embora um aumento de uma hora por dia possa não ter um efeito aparente em todas as crianças, pequenas diferenças podem impactar significativamente o desempenho acadêmico em uma população maior. Futuras pesquisas devem considerar não apenas a duração do uso, mas também a qualidade do conteúdo e o tipo de dispositivo utilizado.

Os achados reforçam a necessidade de uma abordagem cuidadosa em relação ao uso de telas por crianças, enfatizando que tanto o tempo quanto o contexto de uso são cruciais para o desenvolvimento cognitivo.






