Estudo revela função das tumbas etruscas em Tarquinia

Um estudo recente da Duke University sugere que as tumbas etruscas em Tarquinia, na Itália, foram projetadas não apenas como câmaras funerárias, mas como espaços que manipulam a percepção dos visitantes. A pesquisa, que combina inteligência artificial e ciência acústica, analisa como a arquitetura e os elementos sensoriais influenciam a experiência dos que adentram esses locais.
Análise das tumbas etruscas em Tarquinia
O estudo foca em duas tumbas da necrópole de Monterozzi, datadas do século V a.C.: a Tomba del Gallo e a Tomba dei Demoni Azzurri. Os pesquisadores Maurizio Forte e Jacqueline K. Ortoleva argumentam que essas tumbas não devem ser vistas apenas como expressões artísticas, mas como dispositivos experiencialmente personalizados, que produzem diferentes efeitos dependendo do contexto social e familiar.
Métodos utilizados na pesquisa
A pesquisa utiliza quatro metodologias distintas. A mapeamento de saliência visual permite identificar quais partes das pinturas atraem mais a atenção. O modelagem de affordance classifica características arquitetônicas com base nas ações que elas possibilitam ou bloqueiam. A medição acústica segue protocolos da Organização Internacional de Normalização (ISO), enquanto a simulação baseada em agentes cria um modelo 3D onde ‘visitantes’ virtuais reagem a estímulos sensoriais.
Impacto da arquitetura na experiência do visitante
As características arquitetônicas das tumbas influenciam diretamente a experiência sensorial. A Tomba del Gallo, por exemplo, apresenta um corredor de entrada estreito que filtra a estimulação visual, promovendo um movimento mais focado e menos distraído. Em contraste, a Tomba dei Demoni Azzurri cria um ambiente sonoro desorientador, onde os ecos e a disposição dos elementos visuais provocam uma experiência intensa.
Resultados e implicações do estudo
Os resultados indicam que as tumbas etruscas funcionavam como instrumentos de transformação, afetando tanto o corpo quanto os sentidos dos visitantes. A pesquisa, publicada no Journal of Archaeological Method and Theory, sugere que a compreensão dessas estruturas deve ir além da análise estética, incorporando a interação sensorial e espacial.
O estudo contribui para uma nova perspectiva sobre a arquitetura etrusca, ressaltando a importância da experiência do visitante e a relação entre espaço, som e imagem. Essa abordagem pode influenciar futuras pesquisas sobre civilizações antigas e suas práticas funerárias.






