Túmulo em Pella revela objetos de comércio antigo e especiarias

Uma pesquisa recente revelou vestígios de comércio e rituais em um túmulo comunitário em Pella, na Jordânia, datado de cerca de 3.000 anos. O estudo, publicado no Journal of Archaeological Science: Reports, destaca a importância do local em um período histórico conhecido como “idade das trevas”.
Descoberta de vestígios em túmulo comunitário
O túmulo, conhecido como Tomb 89, foi escavado em 1987 e contém os restos de pelo menos 82 indivíduos, além de mais de 200 ofertas funerárias. Entre os achados, sete copos de cerâmica ainda apresentam traços de óleos e plantas queimadas, incluindo indícios de pimenta-do-reino, possivelmente originária da Índia. Os pesquisadores observam que a presença desses itens é rara em sepulturas da época.
Objetos de culturas distantes encontrados
Entre os esqueletos analisados, um deles pertencia a uma jovem mulher enterrada com uma placa de marfim esculpida em estilo sírio-fenício e contas de vidro negro, típicas do comércio fenício. Outro esqueleto, de um jovem homem, foi encontrado com um punhal de lâmina de ferro e um cinto de bronze, ambos associados ao mundo egeu. O cinto é o único do estilo frígio encontrado na região do Levante nesse período.
Métodos inovadores na análise de resíduos
A análise dos resíduos nos copos foi realizada utilizando cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS), uma técnica que permite identificar uma gama mais ampla de compostos do que os métodos tradicionais. Essa abordagem possibilitou a detecção de substâncias que se degradam com o calor, ampliando o entendimento sobre os rituais e práticas alimentares da época.

Importância histórica do sítio arqueológico
Pella, situada no Vale do Jordão, foi um importante centro comercial que conectava o comércio marítimo do Egito às regiões montanhosas da Jordânia, Anatólia e Mesopotâmia. A pesquisa contribui para a compreensão do que se passou na região durante a “idade das trevas”, um período marcado pelo colapso dos grandes impérios da Idade do Bronze e pela escassez de registros escritos.
Os achados em Pella não apenas revelam a complexidade das interações culturais na antiguidade, mas também oferecem novos insights sobre as práticas funerárias e comerciais da época. A pesquisa é assinada por Prudence Sheaves, Kang-Yu Peng, Stephen Bourke e Ben Crossett, todos da Universidade de Sydney.






