UCLA identifica vulnerabilidade em cânceres neuroendócrinos

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), descobriram uma vulnerabilidade crítica em cânceres neuroendócrinos de pequenas células, que são conhecidos por sua agressividade e resistência a tratamentos. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, aponta para o gene E2F3 como um alvo promissor para novas abordagens terapêuticas.
Descoberta de vulnerabilidade em cânceres agressivos
Os cânceres neuroendócrinos de pequenas células, que podem se desenvolver em órgãos como pulmões, próstata e ovários, são caracterizados pela perda do gene RB, responsável por controlar o crescimento celular. A ausência desse gene permite que as células cancerígenas se multipliquem descontroladamente. A pesquisa da UCLA revelou que essas células se tornam altamente dependentes da proteína E2F3, cuja inibição pode interromper o crescimento tumoral.
Importância do gene E2F3 na sobrevivência celular
A relação entre a perda do gene RB e a dependência de E2F3 é descrita como ‘letalidade sintética’. Isso significa que, enquanto as células cancerígenas podem sobreviver sem RB, a eliminação simultânea de E2F3 resulta em uma fraqueza que compromete sua sobrevivência. Dr. Owen N. Witte, autor sênior do estudo, enfatiza que essa descoberta abre novas possibilidades para estratégias de tratamento, especialmente considerando que não houve mudanças significativas nas abordagens terapêuticas para esses cânceres nas últimas décadas.
Modelos experimentais avançados para pesquisa
Para investigar essa vulnerabilidade, a equipe da UCLA desenvolveu modelos experimentais inovadores, modificando geneticamente células prostáticas normais. Esses modelos, que incluem a perda de RB e TP53, foram utilizados para criar organoides e tumores em camundongos, permitindo uma análise mais precisa das dependências genéticas dos cânceres. Os testes de CRISPR realizados revelaram que cerca de 1.400 genes são essenciais para a sobrevivência das células cancerígenas, com a E2F3 sendo um alvo comum entre diferentes tipos de câncer.

Possibilidade de uso de medicamentos existentes
Os pesquisadores também exploraram a possibilidade de utilizar inibidores de DHODH, que já são aprovados pela FDA para tratar doenças autoimunes, como leflunomide e teriflunomide. Esses medicamentos demonstraram reduzir os níveis de E2F3 e desacelerar o crescimento tumoral, oferecendo uma estratégia viável para o tratamento de cânceres que apresentam essa vulnerabilidade.
A identificação da dependência de E2F3 em cânceres neuroendócrinos de pequenas células representa um avanço significativo na busca por novas opções terapêuticas. A pesquisa da UCLA pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e direcionados, melhorando as perspectivas para pacientes com esses tipos de câncer.






