Estudo revela como vida primitiva sobreviveu antes do oxigênio

Pesquisadores identificaram novas evidências sobre como a vida primitiva na Terra pode ter se sustentado antes do surgimento do oxigênio na atmosfera. A descoberta ocorreu em poços de sal no Mar Vermelho, onde reações químicas envolvendo manganês e ferro podem ter fornecido energia para organismos em oceanos primitivos.
Descoberta em poços de sal no Mar Vermelho
A pesquisa foi realizada em lagos subaquáticos hipersalinos, conhecidos como poços de sal, localizados a profundidades significativas no Mar Vermelho. Os cientistas, liderados por Morgan I. Chakraborty, encontraram micro-organismos que prosperam em ambientes sem oxigênio, revelando um ecossistema que antes era considerado inóspito. Essa nova perspectiva sobre os poços de sal sugere que esses locais podem abrigar formas de vida adaptadas a condições extremas.
Micro-organismos e metais como fontes de energia
A análise dos sedimentos revelou a presença de bactérias e arqueias, que são grupos distintos de micro-organismos. Esses organismos foram encontrados em um poço a 1.770 metros de profundidade, onde a concentração de metais como manganês, ferro, molibdênio e cobre era significativamente maior do que em áreas de comparação. Essa descoberta levanta questões sobre a relação entre os micro-organismos e os depósitos metálicos, sugerindo que a oxidação de metais poderia ter sido uma fonte de energia para a vida primitiva.
Assinaturas químicas persistentes em sedimentos
Os pesquisadores identificaram assinaturas químicas deixadas por micro-organismos em sedimentos de um poço de sal extinto, localizado a quase 1.400 metros de profundidade. Esses sedimentos apresentavam padrões de enriquecimento semelhantes aos encontrados no poço ativo, incluindo manganês oxidado e matéria orgânica rica em molibdênio. A persistência dessas assinaturas químicas pode auxiliar na interpretação de depósitos em rochas antigas, onde as comunidades microbianas originais não estão mais disponíveis para estudo.

Implicações para a compreensão da vida primitiva
Os resultados da pesquisa apoiam a hipótese de que o enriquecimento metálico nos oceanos primitivos poderia ocorrer sem a fotossíntese, que é a produção de oxigênio por organismos fotossintéticos. A pesquisa sugere que a energia química obtida pela oxidação de manganês e ferro pode ter sido uma das maneiras pelas quais a vida primitiva se sustentou antes do evento de Grande Oxidação, que ocorreu entre 2,4 e 2,2 bilhões de anos atrás. O estudo foi publicado na revista AGU Advances e pode ser acessado através do DOI: 10.1029/2026AV002570.
As descobertas sobre a vida em ambientes extremos como os poços de sal no Mar Vermelho ampliam a compreensão sobre as condições que permitiram a sobrevivência de organismos primitivos na Terra. A pesquisa abre novas possibilidades para o estudo da origem da vida e das condições em que ela pode ter surgido.






