Pesquisadores identificam causa do resfriamento da estratosfera

Pesquisadores da Universidade de Columbia descobriram o mecanismo responsável pelo resfriamento da estratosfera, um fenômeno que ocorre há décadas e é um indicativo das mudanças climáticas provocadas pelo ser humano. O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, revela que a interação do dióxido de carbono (CO2) com diferentes comprimentos de onda da luz é fundamental para entender esse processo.
Mudanças na atmosfera superior
Enquanto a superfície da Terra e a atmosfera inferior estão aquecendo, a estratosfera, que se estende de aproximadamente 11 km a 50 km acima da superfície, tem apresentado um resfriamento constante. Desde a década de 1980, a temperatura nessa camada caiu cerca de 2 graus Celsius, um efeito que os cientistas atribuem principalmente ao aumento das emissões de CO2.
Mecanismo de resfriamento relacionado ao CO2
O estudo revela que, na estratosfera, o CO2 atua de maneira diferente do que na superfície terrestre. Enquanto na parte inferior da atmosfera o CO2 retém calor, na estratosfera ele absorve energia infravermelha e a emite de volta ao espaço, contribuindo para o resfriamento. A pesquisa identificou uma ‘zona ideal’ de comprimentos de onda infravermelhos que é particularmente eficaz nesse processo.
Impacto das emissões de CO2
Os cientistas estimam que o resfriamento da estratosfera é mais de dez vezes maior do que o que ocorreria sem as emissões de CO2 geradas pelo homem. A cada duplicação da concentração de CO2, a temperatura na estratosfera cai cerca de 8 graus Celsius, reforçando a relação entre as emissões de gases de efeito estufa e as mudanças climáticas.
Efeitos do resfriamento estratosférico
O resfriamento da estratosfera não apenas altera as condições climáticas nessa camada, mas também tem um efeito de feedback no sistema climático da Terra. À medida que a estratosfera esfria, o sistema terrestre emite menos energia infravermelha para o espaço, resultando em um aumento do calor retido na superfície. Esse fenômeno pode intensificar os efeitos do aquecimento global.
A pesquisa fornece uma compreensão mais detalhada de um processo climático conhecido há mais de 50 anos, mas que até agora carecia de uma explicação quantitativa. O trabalho dos pesquisadores da Universidade de Columbia representa um avanço significativo na compreensão dos impactos das emissões de CO2 sobre a atmosfera superior.






