Estudo sugere que animais surgiram 200 milhões de anos antes

Um novo estudo indica que os primeiros animais podem ter surgido até 200 milhões de anos antes do que se acreditava anteriormente. Pesquisadores da Virginia Tech reavaliaram evidências fósseis e biomarcadores químicos, sugerindo que a origem dos animais remonta a mais de 635 milhões de anos.
Fósseis e biomarcadores indicam presença anterior de animais
Os fósseis mais antigos de animais, pertencentes à biota Ediacariana, têm cerca de 574 milhões de anos. No entanto, biomarcadores lipídicos deixados por esponjas sugerem que os animais estavam presentes antes desse período. A pesquisa destaca que a ausência de fósseis não implica na inexistência de animais, uma vez que evidências químicas indicam sua presença durante o final do período Cryogeniano.
Análise de depósitos geológicos desafia cronologia atual
Os pesquisadores examinaram depósitos geológicos que foram utilizados para estabelecer a idade máxima dos animais. Eles argumentam que alguns depósitos mais jovens, anteriormente considerados confiáveis, podem não ser adequados, pois a falta de fósseis de animais não significa que eles não haviam evoluído. A análise de microfósseis da biota Kheseen, por exemplo, revelou que, apesar de animais já existirem em outras regiões, não foram encontrados fósseis identificáveis nessa coleção.
Molecular clocks revelam novas estimativas de origem
A pesquisa utilizou relógios moleculares, que analisam diferenças genéticas entre espécies vivas para estimar o momento em que as linhagens se separaram. Ao substituir calibragens mais jovens por depósitos mais antigos, as estimativas para a origem dos animais aumentaram, situando-se entre 800 e 700 milhões de anos. Essa nova abordagem desafia a ideia de que a origem dos animais está restrita ao intervalo Ediacariano.
Implicações para a pesquisa sobre a evolução animal
Os resultados do estudo têm implicações significativas para a compreensão da evolução animal. Os autores sugerem que futuras pesquisas devem explorar depósitos fósseis em diferentes partes do mundo, considerando todos os tipos de evidências disponíveis, incluindo fósseis corporais e biomarcadores químicos. A pesquisa foi publicada na revista Science Advances e pode alterar a forma como a história da vida animal na Terra é interpretada.
A nova análise não prova que os animais existiram 800 milhões de anos atrás, mas questiona a validade de algumas das principais evidências que limitam a origem dos animais ao período Ediacariano. A busca por novos fósseis e evidências continua, refletindo a complexidade da história evolutiva.






