Estudo revela perda de micróbios intestinais ancestrais em humanos

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford revelou que populações humanas modernas perderam uma quantidade significativa de micróbios intestinais ancestrais. A pesquisa, publicada na revista Nature, comparou o microbioma intestinal de duas populações geograficamente distantes e identificou semelhanças notáveis, apesar de milênios de separação.
Comparação entre populações revela semelhanças
Os cientistas analisaram os microbiomas intestinais dos Hadza, caçadores-coletores da Tanzânia, e dos Tsimane, forrageiros-horticultores indígenas da Amazônia boliviana. Apesar das diferenças dietéticas e da separação geográfica de milhares de anos, as duas populações compartilham 1.231 espécies bacterianas, das quais cerca de 60% são raras ou ausentes em populações industrializadas.
Identificação de micróbios ancestrais
Os pesquisadores identificaram aproximadamente 1.400 espécies bacterianas na população Tsimane, com quase 90% também presentes entre os Hadza. Essa sobreposição foi inesperada, considerando que os Hadza se alimentam principalmente de alimentos selvagens, enquanto os Tsimane cultivam e consomem grandes quantidades de fibras dietéticas. A análise genética sugere que esses micróbios podem ter acompanhado os ancestrais das duas populações durante migrações humanas antigas.
Implicações para a saúde moderna
A pesquisa aponta que a perda de diversidade microbiana nos microbiomas intestinais de populações industrializadas pode estar relacionada a fatores como uso de antibióticos, dietas processadas e ambientes altamente sanitizados. Mudanças nos micróbios intestinais têm sido associadas a doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças autoimunes. No entanto, a relação direta entre a perda dessas espécies ancestrais e a saúde permanece incerta.

Financiamento e publicação do estudo
O estudo foi financiado por diversas instituições, incluindo a Open Philanthropy, a Stanford Bio-X Bowes Fellowship e os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. A pesquisa foi publicada em 7 de outubro de 2026 na revista Nature e pode ser acessada através do DOI: 10.1038/s41586-026-11106-1.
Os resultados do estudo abrem novas perspectivas sobre a relação entre humanos e seus micróbios intestinais, sugerindo que a preservação da diversidade microbiana é crucial para a saúde humana.






