Cientistas desenvolvem gelo reforçado com resistência ao concreto

Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém apresentaram um novo material, denominado BioPykrete, que combina gelo com propriedades de resistência comparáveis ao concreto. Essa inovação pode oferecer uma alternativa viável para construção em ambientes polares extremos, embora ainda existam questionamentos sobre sua durabilidade a longo prazo.
Propriedades do BioPykrete
O BioPykrete é cerca de dez vezes mais forte sob compressão do que o gelo puro e pode absorver aproximadamente 70 vezes mais energia antes de se romper. Essa resistência é atribuída à presença de nanocristais de celulose, que formam uma rede tridimensional ao redor das regiões microscópicas de gelo, conferindo ao material características únicas.
Mecanismo de resistência a fraturas
Diferentemente do gelo comum, que pode se romper de forma abrupta devido à propagação rápida de pequenas fissuras, o BioPykrete apresenta um sistema de reforço que interrompe ou redireciona essas fraturas. A conexão molecular entre a celulose e o gelo, facilitada por uma proteína projetada, aumenta a energia necessária para que as fissuras se espalhem, permitindo uma deformação mais gradual.

Potencial para uso em ambientes extremos
Os pesquisadores acreditam que o BioPykrete pode ser especialmente útil em regiões árticas e antárticas, onde o transporte de materiais de construção convencionais, como concreto e aço, é logisticamente desafiador e caro. Por ser composto principalmente de gelo e celulose de origem vegetal, o material pode oferecer uma alternativa biodegradável com menor impacto ambiental para estruturas em climas extremamente frios.
Desafios e futuras pesquisas
Apesar do desempenho promissor observado em laboratório, o BioPykrete ainda é considerado um conceito experimental. Estudos adicionais são necessários para avaliar sua resistência a ciclos de congelamento e descongelamento, além de sua capacidade de suportar cargas prolongadas. Pesquisas futuras também investigarão o desenvolvimento de fraturas dentro da estrutura reforçada e a possibilidade de aprimorar suas propriedades por meio de diferentes técnicas de congelamento.

A pesquisa foi publicada na revista Colloids and Surfaces B: Biointerfaces e pode ser acessada através do DOI: 10.1016/j.colsurfb.2026.116037. O avanço no desenvolvimento do BioPykrete representa um passo significativo na busca por materiais inovadores para construção em condições extremas.






