Estudo aponta que atividade física pode aumentar risco de demência

Um novo estudo revela que nem toda atividade física oferece proteção contra a demência. A pesquisa, publicada na revista The Lancet Public Health, analisa a relação entre diferentes tipos de atividade física e o risco de desenvolver a doença, destacando a importância do contexto em que essas atividades são realizadas.
Revisão de estudos sobre atividade física e demência
A revisão abrangeu 74 estudos com mais de 4,2 milhões de participantes em 30 países. Os resultados indicam que atividades físicas realizadas em tempo livre, como esportes e dança, estão associadas a uma redução de 24% no risco de demência. Em contrapartida, a atividade física ocupacional foi ligada a um aumento de 20% no risco, sugerindo que o tipo de atividade e seu contexto são cruciais para a saúde cerebral.
Atividades de lazer versus trabalho
O estudo evidencia a diferença entre atividades de lazer e aquelas realizadas no ambiente de trabalho. Enquanto atividades recreativas podem proteger o cérebro, o exercício físico no trabalho não apresenta os mesmos benefícios e, em alguns casos, pode aumentar o risco de demência. Essa discrepância é referida como o “paradoxo da atividade física”.
Mecanismos de proteção do exercício
A atividade física pode proteger o cérebro através de vários mecanismos. Ela melhora o fluxo sanguíneo, facilitando a entrega de oxigênio e nutrientes. Além disso, a prática de exercícios estimula a liberação de moléculas que reduzem a inflamação e promovem o crescimento de novas células cerebrais. Essas descobertas reforçam a importância de incluir a atividade física como parte das diretrizes de prevenção da demência da Organização Mundial da Saúde, que sugere que até 45% dos casos podem ser evitados ou retardados.

Desafios na prevenção da demência
Os pesquisadores apontam que a relação entre atividade física e demência é complexa e varia conforme o contexto socioeconômico. Em países de baixa renda, a atividade recreativa representa apenas 4% do tempo ativo, enquanto em países de alta e média renda, esse número sobe para 28%. Essa desigualdade pode influenciar os fatores de risco para a demência em diferentes regiões do mundo, exigindo mais pesquisas para entender as nuances dessa relação.
Os resultados do estudo ressaltam a necessidade de uma abordagem diferenciada na promoção da atividade física, levando em consideração o tipo de exercício e seu contexto. A prevenção da demência deve ser uma prioridade, especialmente em um cenário global onde a população envelhece rapidamente.






