Estudo revela comércio de metais da Sardenha com Escócia e Suécia

Um estudo recente sugere que metais, como cobre e chumbo, extraídos na Sardenha durante a Idade do Bronze, foram comercializados em regiões tão distantes quanto Escócia, Polônia e Escandinávia. A pesquisa, conduzida pela arqueóloga Serena Sabatini da Universidade de Gotemburgo, analisa dados isotópicos para mapear as rotas comerciais da civilização nurágica.
Comércio de metais na Idade do Bronze
A pesquisa indica que lingotes de cobre produzidos na Sardenha poderiam ser encontrados em tumbas escocesas ou vilarejos no sul da Suécia, revelando um comércio que se estendia por aproximadamente 1.240 milhas. Essa descoberta desafia a visão tradicional da Sardenha como uma ilha isolada no Mediterrâneo ocidental, mostrando que os metais de origem sardenha alcançaram regiões surpreendentemente distantes durante a segunda metade do segundo milênio a.C.
Análise isotópica e sua relevância
O estudo se baseia na análise de isótopos de chumbo e na composição química de artefatos de cobre e chumbo encontrados fora da Sardenha. Essa abordagem permitiu identificar a presença de cobre sardenho em objetos da Idade do Bronze espalhados pela Grã-Bretanha, Irlanda, Polônia e até mesmo pela costa levantina. A análise isotópica é crucial para entender as rotas de circulação dos metais e a interação entre diferentes culturas.
A civilização nurágica e suas contribuições
Os nurágicos, que dominaram a Sardenha entre 1700 a.C. e a conquista romana no século II a.C., são conhecidos por suas impressionantes torres de pedra, chamadas nuraghi. A pesquisa sugere que, além de suas realizações arquitetônicas, os nurágicos também desempenharam um papel significativo nas redes comerciais de metais, compartilhando rotas comerciais com outras civilizações do Mediterrâneo.
Desafios e objeções ao estudo
A análise de Sabatini enfrenta críticas, especialmente pela falta de evidências arqueológicas diretas, como minas e locais de fundição datados da Idade do Bronze. No entanto, a abundância de lingotes e artefatos metálicos encontrados na Sardenha, que correspondem a depósitos locais conhecidos, é apresentada como forte evidência da produção de metais na época. Além disso, a pesquisa aborda a complexidade das rotas comerciais e a mobilidade dos nurágicos, que não se limitavam à troca de bens, mas também incluíam a movimentação de pessoas.
O estudo, publicado no Oxford Journal of Archaeology, representa uma contribuição significativa para a compreensão do comércio de metais na Idade do Bronze e do papel da Sardenha nesse contexto. Para mais informações, acesse o artigo completo em doi.org/10.1111/ojoa.70029.






