Estudo revela diferenças étnicas na biologia do Alzheimer

Uma análise abrangente de dados de imagem cerebral e clínicos de mais de 17 mil adultos mais velhos revela diferenças significativas na biologia do Alzheimer entre populações. O estudo, conduzido pelo USC Mark and Mary Stevens Neuroimaging and Informatics Institute, sugere que hispânicos apresentam menor acúmulo de amiloide em comparação a brancos não hispânicos com status cognitivo e fatores genéticos semelhantes.
Análise de dados de 17 mil adultos mais velhos
O estudo analisou dados de 17.017 adultos mais velhos, dos quais 1.427 se identificaram como hispânicos. Os pesquisadores utilizaram a escala Centiloid para medir a carga de amiloide, levando em conta fatores como idade, sexo, escolaridade e desempenho cognitivo. Os resultados indicaram que indivíduos com comprometimento cognitivo leve ou demência apresentaram níveis de amiloide mais elevados do que os participantes cognitivamente saudáveis.
Menor acúmulo de amiloide em hispânicos
Os participantes hispânicos mostraram consistentemente níveis médios de amiloide inferiores aos dos participantes brancos não hispânicos, independentemente da categoria diagnóstica. Entre os portadores da variante APOE ε4, que é um importante fator de risco genético para o Alzheimer, os adultos hispânicos com cognição normal ou comprometimento leve também apresentaram menores níveis de amiloide em comparação aos seus pares brancos não hispânicos.
Importância da plataforma GAAIN na pesquisa
A pesquisa se beneficiou da Global Alzheimer’s Association Interactive Network (GAAIN), uma plataforma de compartilhamento de dados criada no Stevens INI com o apoio da Alzheimer’s Association. A GAAIN permite que cientistas explorem e conectem grandes conjuntos de dados de estudos sobre Alzheimer e demências relacionadas, facilitando a identificação de tendências que podem ser difíceis de detectar em estudos individuais.
Implicações para o tratamento e compreensão do Alzheimer
Os achados sugerem que a relação entre o fator de risco genético APOE ε4 e o acúmulo de amiloide pode ser mais complexa nas populações hispânicas. Segundo Cally Xiao, autora principal do estudo, isso pode influenciar a interpretação do risco, a compreensão do declínio cognitivo e o desenvolvimento de tratamentos adequados para comunidades diversas. Os resultados foram publicados na revista Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association.
A pesquisa evidencia a necessidade de considerar as diferenças étnicas na biologia do Alzheimer, o que pode levar a abordagens mais personalizadas no tratamento e na prevenção da doença.






