DNA antigo revela nova história do ‘guepardo americano’

Estudos recentes sobre o DNA antigo do ‘guepardo americano’ revelam que essa espécie extinta, conhecida como Miracinonyx trumani, possui uma relação mais próxima com os pumas do que com os cheetahs africanos. Além disso, evidências indicam que algumas populações que habitavam regiões árticas se alimentavam quase exclusivamente de peixes.
Relação com pumas e adaptações alimentares
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, liderados por Molly Cassatt-Johnstone, analisaram o DNA de quatro espécimes de M. trumani, revelando que a espécie é mais próxima dos pumas modernos. A análise genética sugere que os dois grupos se separaram de um ancestral comum há cerca de 2,6 milhões de anos, desafiando a ideia de que o ‘guepardo americano’ era um predador semelhante ao cheetah africano.
Evidências genéticas e fósseis
Os fósseis de M. trumani foram encontrados em várias localidades, incluindo o território do Yukon, onde antes eram considerados de uma espécie diferente. A nova análise genética não apenas confirmou a identidade da espécie, mas também ampliou seu alcance geográfico em mais de 20 graus de latitude ao norte. Essa descoberta foi publicada na revista Current Biology em 4 de setembro, e pode ser acessada através do link aqui.
Dietas distintas em populações do Ártico
A análise química dos fósseis do Yukon revelou que as populações de M. trumani naquela região se alimentavam quase exclusivamente de peixes. Os perfis de nitrogênio encontrados nas amostras eram semelhantes aos de predadores marinhos, como orcas, indicando uma dieta adaptada ao ambiente ártico. Em contraste, um espécime encontrado em Wyoming apresentava um padrão de dieta mais típico de predadores terrestres.
Implicações sobre hábitos de vida
A perda de genes relacionados aos ritmos circadianos em M. trumani sugere adaptações ao ambiente extremo do Ártico, onde a variação entre períodos de luz e escuridão é acentuada. Essa característica pode indicar que a espécie desenvolveu hábitos noturnos ou se adaptou a um estilo de vida que não dependia de ciclos diurnos regulares.
As novas descobertas sobre M. trumani não apenas reescrevem a história evolutiva deste felino, mas também ampliam a compreensão sobre a diversidade de adaptações alimentares e comportamentais de espécies extintas em diferentes ecossistemas.






