Estudo revela efeitos do café no intestino e cérebro

Um estudo recente conduzido por cientistas do APC Microbiome Ireland, da University College Cork, sugere que o café pode influenciar o humor e a função cerebral ao alterar a atividade de microrganismos no intestino. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, revela que tanto o café descafeinado quanto o cafeinado estão associados a uma diminuição do estresse, depressão e impulsividade, além de provocar mudanças mensuráveis na microbiota intestinal.
Efeitos do café na microbiota intestinal
Os pesquisadores observaram que o consumo de café está relacionado a alterações na microbiota intestinal, incluindo um aumento de bactérias como Eggertella sp. e Cryptobacterium curtum. Essas bactérias podem contribuir para a secreção de ácidos no estômago e intestinos, além de participar da produção de ácidos biliares, criando um ambiente intestinal que pode inibir bactérias nocivas. A presença de Firmicutes, um grupo de micróbios associado a emoções positivas, também foi maior entre os bebedores de café.
Mudanças no humor e estresse
Os participantes do estudo relataram uma diminuição nos níveis de estresse percebido e sintomas de depressão após a reintrodução do café em suas dietas. Esses efeitos foram observados independentemente da presença de cafeína, sugerindo que compostos não relacionados à cafeína também podem desempenhar um papel significativo nas alterações de humor. A pesquisa destaca a importância da conexão entre o intestino e o cérebro, conhecida como eixo microbiota-intestino-cérebro.
Diferenciação entre café descafeinado e cafeinado
Os efeitos do café descafeinado e cafeinado diferem em alguns aspectos. O café descafeinado foi associado a melhorias na aprendizagem e memória, enquanto o café cafeinado se mostrou eficaz na redução da ansiedade e na melhoria da atenção. Isso sugere que outros compostos presentes no café, além da cafeína, podem influenciar a cognição e o bem-estar mental.
Metodologia da pesquisa
O estudo envolveu 62 participantes, divididos entre bebedores regulares de café e não bebedores. Os participantes completaram avaliações psicológicas e forneceram amostras de fezes e urina para monitorar mudanças na microbiota intestinal e nos metabolitos. Após um período de abstinência de café, os participantes foram reintroduzidos ao café, sem saber se estavam consumindo a versão descafeinada ou cafeinada. Os resultados indicaram mudanças significativas na microbiota e no bem-estar psicológico dos participantes.
As descobertas ressaltam a complexidade da interação entre dieta, microbiota intestinal e saúde mental. O estudo contribui para a compreensão dos mecanismos pelos quais o café pode afetar o cérebro e o intestino, abrindo novas possibilidades para pesquisas futuras sobre a relação entre alimentação e saúde mental.






