Estudo revela escarpa antiga que pode explicar o Grand Canyon

Pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, descobriram evidências de uma escarpa colossal que pode ter exposto as rochas mais profundas do Grand Canyon quase um bilhão de anos antes da formação do cânion. O estudo sugere que essa escarpa se formou durante a fragmentação do supercontinente Rodinia.
Escarpa perdida expõe rochas do Grand Canyon
A escarpa, que teria atingido cerca de um quilômetro de altura e se estendido por milhares de quilômetros ao longo da América do Norte, pode ter sido crucial para a exposição das rochas cristalinas que hoje são visíveis no Grand Canyon, localizado no sul do Arizona. A erosão ao longo dessa imensa fronteira rochosa removeu grandes quantidades de material, revelando as rochas mais antigas da região.
Formação geológica e a Grande Inconformidade
O estudo também aborda a Grande Inconformidade, um hiato misterioso no registro geológico que abrange mais de um bilhão de anos. Segundo o professor Thomas Gernon, a pesquisa sugere que as rochas do fundo do cânion foram progressivamente trazidas à superfície como parte da escarpa que se desenvolveu durante a separação do supercontinente.
Reconstituição da paisagem norte-americana antiga
Para entender como a região poderia ter se apresentado há centenas de milhões de anos, os pesquisadores combinaram reconstruções dos movimentos das placas tectônicas com dados sobre a evolução das paisagens ao longo do tempo. Os resultados indicam que, quando Rodinia estava se fragmentando, o futuro Grand Canyon ocupava uma posição semelhante à de grandes escarpas encontradas atualmente em locais como África do Sul e Brasil.
Impacto da escarpa na geografia da América do Norte
A escarpa antiga pode ter influenciado significativamente a geografia da América do Norte, moldando os caminhos dos rios e determinando onde os sedimentos se acumulavam. Essa formação geológica também pode ter afetado a propagação dos mares que se espalharam pelo continente antes da explosão cambriana, um período de rápida diversificação da vida complexa.
O estudo foi publicado na revista Geology e envolveu a colaboração de instituições como o GFZ Helmholtz Centre for Geosciences e a Universidade de Potsdam, na Alemanha, além da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. Para mais informações, acesse o artigo completo em Geology.






